Igreja diocesana assinala segundo aniversário do falecimento de D. Aurélio Granada Escudeiro, Bispo Emérito de Angra

O Bispo de Angra disse esta manhã, na eucaristia a que presidiu na Sé, que D. Aurélio Granada Escudeiro foi “uma figura significativa da igreja” a quem a diocese “deve muito”.

D. António de Sousa Braga evocou a memória do Bispo Emérito de Angra, seu antecessor, na passagm do segundo aniversário da sua morte.

“Ao celebrarmos o 2º aniversário da morte de D. Aurélio, queremos exprimir, antes  de mais, a nossa fé no Mistério da Comunhão dos Santos. Acreditamos, não só que a vida continua para além da morte, mas também que estamos unidos aos nossos defuntos, que continuam presentes na nossa vida. Nunca, na nossa vida terrena, estiveram tão unidos a nós, como agora que deixaram a nossa convivência física”, sublinhou o atual prelado diocesano.

D. António de Sousa Braga destacou o facto de D. Aurélio ser um homem que “vivia e recomendava a comunhão afetiva e efetiva com o Bispo de Roma” e de se ter empenhado particularmente para conseguir a vinda do agora S. João Paulo II aos Açores, “ fato histórico dificilmente repetível”.

“A preparação e realização dessa visita histórica do Papa marca, de forma assinalável, o episcopado de D. Aurélio. Queremos seguir o exemplo de D. Aurélio, mantendo-nos em íntima comunhão com o Santo e seguindo as suas orientações pastorais, nomeadamente na recente Exortação Apostólica, A Alegria do Evangelho, em que exorta a Igreja a uma nova saída missionária, para uma nova etapa evangelizadora”, destacou o bispo de Angra.

O responsável pela Igreja nos Açores sublinhou, também, o papel desempenhado por D. Aurélio Granada Escudeiro na realização do Congresso de Leigos, que se realizou depois da visita de São João paulo II aos Açores.

“Foi um marco histórico, na caminhada pós-conciliar da Diocese. Os programas pastorais posteriores a este acontecimento eclesial estão marcados por esta magna assembleia laical, que, em muitos aspetos já está na linha das insistências atuais do Papa Francisco”, disse D. António de Sousa Braga.

O prelado diocesano alertou, no entanto, para a necessidade de aprofundamento deste trabalho ao nível da igreja diocesana.

Citando o Papa Francisco, D. António de Sousa Braga lembrou que este compromisso ”tem de se refletir na penetração dos valores cristãos no mundo social, político e económico não se limitando  às tarefas no seio da Igreja, sem um empenhamento real pela aplicação do Evangelho na transformação da sociedade*.

Finalmente o Bispo de Angra lembrou “o grande empenho” de D. Aurélio, na realização da visita da Imagem  Peregrina de Nossa Senhora de Fátima aos Açores.

“Apesar de algum ceticismo, soube intuir a sensibilidade do povo açoriano e a peregrinação da Imagem de Nossa Senhora pelas Ilhas foi um sucesso pastoral. É o que esperamos, quando em 2016, se realizar a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima aos Açores, dentro do programa das dioceses portugueses, para preparar a celebração do centenário das Aparições de Fátima (2017)”, concluiu .

D. Aurélio Granada Escudeiro faleceu no dia 25 de agosto de 2012, em Ponta Delgada, aos 92 anos de idade .

O prelado, 37 º bispo de Angra e cidadão honorário da cidade de Angra do Heroísmo, precedeu no cargo ao atual responsável pela diocese tendo sido nomeado  como titular de Drusiliana e coadjutor de Angra a 18 de Março de 1974. Foi nomeado bispo a 26 de Maio desse ano.

A 30 de Junho, de 1979, foi nomeado bispo residencial da diocese açoriana, cargo que ocupou até 1996.

D. Aurélio Granada Escudeiro foi o responsável pela criação do secretariado para a Pastoral das Migrações e a Comissão Diocesana para a Comunicação Social, para além de uma comissão de ajuda aos refugiados, no pós-25 de abril.

Considerado por grande parte do clero diocesano como um homem “cheio de fé, convicções e ideias firmes”, contribuiu “muito para o crescimento da Igreja nos Açores”, como afirmaram alguns sacerdotes no dia do seu funeral à Agência de Notícias Lusa acrescentando que o bispo “marcou uma época conturbada”, já que assumiu a liderança da diocese açoriana em 1974.

Figura “incontornável” da Diocese, era conhecido pelo seu carácter austero e muito disciplinado.

O anel do seu episcopado foi entregue ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, um sinal claro da devoção que tinha por este culto, do qual foi um grande entusiasta.

D. Aurélio Granada Escudeiro era natural de Castelo Branco.

Os seus restos mortais estão na ilha Terceira, num jazigo da diocese.

Esta segunda feira, são várias as eucaristias que se realizarão em sua intenção. Destaque, também, para a que se realiza em Ponta Delgada, na Igreja Matriz, às 12h30.