Na Missa Crismal, D. João Lavrador lembrou que a diocese está convocada a refletir sobre “a missão evangelizadora” e os sacerdotes devem ser os `motores´ dessa reflexão

O bispo de Angra disse esta noite aos padres da ilha Terceira  que é preciso aprender a “linguagem da pobreza”, porque a “Boa Nova é anunciada aos pobres”.

“Há uma linguagem dos pobres e esta só se aprende no despojamento, no abandonar-se e na experiência da austeridade, da simplicidade e ascese”, disse D. João Lavrador na Missa Crismal a que presidiu esta quarta-feira na Sé de Angra com o clero da ilha, que esteve presente em número muito expressivo (cerca de 30 sacerdotes).

Na homilia desta Missa, em que foram benzidos os santos óleos que irão ser utilizados nos vários sacramentos da Igreja ao longo do ano, o bispo de Angra indicou que só a partir da “conversão pessoal e em presbitério” se pode “sonhar” em traduzir a mensagem profética de proclamar a Boa Nova aos pobres na realidade concreta do mundo.

“Em tempos tão nefastos para quem queira seguir a Jesus Cristo, demolidores dos grandes ideais da vida, cerceadores dos verdadeiros projectos que conduzem à edificação de uma verdadeira comunidade de irmãos, urge deixarmos a nossa auto-referencialidade e darmos lugar à acção do Espirito de Deus, despojarmo-nos dos nossos egocentrismos e deixarmo-nos iluminar e guiar pelo Espirito que Jesus Cristo envia a todo aquele que O segue”, afirmou.

“É tempo de conversão, de renovação, de nos questionarmos sobre o que somos e como somos, alterar comportamentos e modos de vida. Só em sintonia com o Evangelho responderemos às exigências da evangelização dos pobres, dos excluídos, dos prisioneiros e marginalizados”, desenvolveu ao desafiar os sacerdotes a configurarem-se a Cristo.

O bispo da diocese insular lembrou, ainda, que no contexto da caminhada sinodal, que a comunidade cristã açoriana vive há dois anos, as “comunidades, grupos, movimentos e instituições” estão convocados para a “reflexão sobre a missão evangelizadora” no mundo hoje.

No final da homilia, D. João Lavrador disse aos sacerdotes que são chamados a acolher, a defender e acompanhar “todos os que têm necessidade de cuidado e de ajuda” como São José.

O bispo de Angra vai presidir às celebrações do Tríduo Pascal e domingo de Páscoa na Sé, com a participação de fiéis e transmissão online e pelos meios de comunicação social.

Ontem o prelado já havia presidido à missa de renovação das promessas sacerdotais na Horta. A missa de Ponta Delgada será celebrada a 30 de abril.

Durante o Triduo Pascal o bispo permanecerá na Catedral a onde presidirá a todas as celebrações mais importantes: Missa da Ceia do Senhor, Paixão e Vigilia Pascal. As celebrações contarão com a presença de fieis mas em número mais reduzido, cumprindo-se assim, e uma vez mais, as normas de segurança sanitária