Paróquias devem enviar pareceres às ouvidorias até dia 31 de janeiro

A designada “caminhada sinodal” que a diocese de Angra está a fazer este ano tem no final deste mês uma primeira meta temporal: até dia 31 as paróquias devem pronunciar-se sobre os três temas que constam do instrumento de trabalho, avançou ao Igreja Açores o Vigário-geral da diocese, cónego Hélder Fonseca Mendes.

O coordenador da Comissão que acompanha os trabalhados desta caminhada lembra “é importante conhecermos a realidade e auscultarmos o maior número de pessoas” para até “ao final de janeiro os ouvidores poderem receber todos os pareceres sobre a cultura contemporânea e a relação que os cristãos têm com ela; sobre a realidade económica e social do arquipélago e sobre a nossa identidade religiosa e eclesial”.

“A caminhada sinodal é um percurso que encontrámos para trabalharmos juntos e ouvirmos o maior número de pessoas, dentro e fora da Igreja por forma a conhecermos a realidade em que nos situamos” esclareceu ainda.

Depois de completada esta etapa, os pareceres serão discutidos ao nível da ouvidoria e depois enviados à Comissão da Caminhada Sinodal terminando esta fase de auscultação com uma assembleia que se realizará em São Miguel entre 30 de abril e 3 de maio, juntando os membros dos conselhos presbiteral e pastoral diocesano, o que acontecerá pela primeira vez.

“Queremos ouvir o máximo de pessoas, dentro e fora da igreja” acrescentou o Vigário-geral da diocese, cónego Hélder Fonseca Mendes.

A caminhada sinodal foi decidida pelos conselhos presbiteral e pastoral diocesano, tendo uma comissão de coordenação própria. Na altura, quando o assunto foi discutido, pelos dois conselhos, não mereceu a unanimidade da diocese, embora este tenha sido o caminho seguido e conste das orientações diocesanas de pastoral para o ano em curso. Sem assembleia sinodal agendada ainda, esta caminhada pretende ser uma primeira auscultação das bases dando cumprimento a um diálogo permanente da igreja com a sociedade, cumprindo uma dinâmica pastoral que se fundamenta no Concilio Vaticano II.

Num texto intitulado “A beleza de Caminharmos juntos em Cristo”  Serviços Diocesanos, Movimentos de Apostolado, Institutos Religiosos e de Vida Consagrada e todos os batizados foram interpelados a “onde for possível” organizar “debates abertos a toda a sociedade para escutar todos aqueles que queiram ajudar a Igreja diocesana a encontrar a melhor resposta para o diálogo com o mundo de hoje”.

“Há épocas na história colectiva e na vivência das comunidades cristãs que se exige uma refontalização de modo a adquirir novas energias, a sintonizar melhor com o ideal evangélico e a situar a missão evangelizadora como resposta adequada ao mundo em que vivemos” refere o texto das orientações diocesanas na introdução ao tema destas orientações de pastoral dirigidas a toda a diocese, desde as ouvidorias, às paróquias até à família e aos jovens.

As orientações  começam por explicar o que se entende por caminhada sinodal: “ não é tão só um acontecimento mas sobretudo uma caminhada que manifeste um estilo próprio de ser comunidade na qual todos os baptizados são chamados a participar ativamente”.

Neste sentido, pretende-se “a nível de cada paróquia, movimento, organismo, instituição, que integra a diocese, que todos e cada um dos batizados se sintam pertença de uma comunidade cristã concreta e que dela participe ativamente, seja na análise dos problemas, seja nas propostas de solução, seja no seu compromisso de ser membro ativo na missão evangelizadora nos diversos campos em que esta se desenvolve”.

O texto sugeriu mesmo um itinerário concreto, em que a formação aparece logo à cabeça, como condição essencial para “uma participação lúcida e ativa”. Esta formação “exigente e urgente” não poderá “ser tão só ao estilo académico”, privilegiando a formação integral, intelectual, humana, pastoral, espiritual, sacramental e comunitária. Por isso, uma das prioridades será a catequese, com uma aposta na formação de catequistas, motivando os pais para a sua responsabilidade na catequese dos filhos, sem perder de vista a catequese de adultos.

O documento destaca o principio de uma igreja ministerial, assente na premissa da corresponsabilização para que existam comunidades “em verdadeira comunhão”.

“Pelo que vamos verificando, falta espirito de comunhão nas paróquias e nos diversos organismos da Igreja. Por isso, toda acção da Igreja, desde a formação, passado pela celebração dos mistérios da fé, até à exigida partilha fraterna, deve conduzir à edificação da comunhão eclesial”.

“Pensar numa Igreja em caminha sinodal é partir do pressuposto de que desejamos viver em comunhão eclesial. Aliás, a eficácia deste estilo de ser e de atuar que é definido por caminhada sinodal terá de contar com a vontade de construir a comunhão”, refere ainda o documento.