Comunicar a alegria do Evangelho e sensibilizar para a missão são os dois objetivos do encontro promovido pela Congregação dos Padres do Coração de Jesus nos Açores

O centro Missionário dos Padres do Coração de Jesus- Dehonianos promove no próximo domingo um encontro de jovens e movimentos paroquiais da Ouvidoria da Lagoa, na ilha de São Miguel, com o objetivo de promover “a missão” e assinalar o Dia Mundial das Missões.

“O conceito evoluiu e, naturalmente estamos preocupados em levar o Evangelho, a quem está longe mas também a quem já o conhece mas que se esqueceu”, disse ao Sítio Igreja Açores o ouvidor da Lagoa e um dos promotores desta iniciativa, Pe Pedro Coutinho.

Missionário “desde sempre”, em missões ad gentes em África(Madagascar) e na Ásia (India), o sacerdote lembra que hoje “o grande desafio da missão para a qual estamos interpelados pelo Papa é fazer despertar a alegria do Evangelho em quem já o conhece mas que por uma razão ou outra se afastou dele”.

“Estas são as periferias para as quais a igreja tem de olhar, saindo ao encontro destas pessoas”, diz o Pe Pedro Coutinho.

Esta nova evangelização “é tão o mais exigente que a primeira evangelização pois não basta dar a conhecer o evangelho, temos de ser mais criativos e isso significa que temos de arriscar, de ir ao encontro e sair das nossas zonas de conforto”.

Para este sacerdote “em missão” nos Açores há dois anos, o arquipélago é “um bom terreno” para este trabalho, pese embora “existam algumas resistências” que “são compreensíveis porque representam o medo de mudança que todos nós temos”.

No próximo domingo, a partir das 15h00, o Centro Missionário em Ponta delgada vai receber os grupos de jovens que irão apresentar trabalhos de reflexão sobre os novos desafios da missão. Haverá um momento de reflexão sobre a Exortação Apostólica do papa Francisco; apresentação de testemunhos sobre as missões ad gentes e depois um convívio.

“Será um momento importante para sensibilizarmos as pessoas para a missão” sublinha o sacerdote que gostava que na ouvidoria da Lagoa, que coordena há dois anos, desenvolvendo o trabalho de moderador em muitas paróquias geridas conjuntamente com outros sacerdotes, que “fossemos capazes de abandonar a ideia de paróquia como porto seguro e olhássemos para ela como um ponto de partida seguro para ir ao encontro daqueles que não se sentem parte da nossa comunidade”.

“É muito cómodo fazer adoração ou rezar o terço na igreja mas será muito mais desafiante e útil se o soubermos levar ás periferias, aos mercados, às ruas e aos bairros ponde estão aqueles que já não rezam há muito tempo”, conclui o Pe Pedro Coutinho, que não esconde a alegria da Evangelização.

De resto o tema proposto para este Dia Mundial das Missões pelo Papa Francisco para combater a «tristeza individualista» que reina na sociedade atual.

O Papa Francisco considera que a missão a todas as gentes é uma “grande urgência”, deve traduzir a natureza da Igreja “em saída” e ser sinal da “alegria da evangelização” diante da “tristeza individualista” que marca o mundo atual.

Na Mensagem para o Dia Mundial das Missões, o Papa Francisco afirma que todos são chamados “a alimentar a alegria da evangelização”.

“O grande risco do mundo atual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada”, refere o Papa.

Para Francisco, a humanidade tem “grande necessidade” de “saciar-se na salvação trazida por Cristo”.

“Ainda hoje há tanta gente que não conhece Jesus Cristo. Por isso, continua a revestir-se de grande urgência a missão ‘ad gentes’, na qual são chamados a participar todos os membros da Igreja, pois esta é, por sua natureza, missionária: a Igreja nasceu «em saída»”, afirma o Papa.

Para Francisco, cada batizado não pode deixar que lhe roubem a “alegria da Evangelização”, capaz de sustentar a sua “vocação e missão”.

“Os bispos, como primeiros responsáveis do anúncio, têm o dever de incentivar a unidade da Igreja local à volta do compromisso missionário, tendo em conta que a alegria de comunicar Jesus Cristo se exprime tanto na preocupação de O anunciar nos lugares mais remotos como na saída constante para as periferias de seu próprio território, onde há mais gente pobre à espera”, sustenta o Papa no documento.

Na Mensagem para o Dia Mundial das Missões, Francisco diz que a escassez de vocações ao sacerdócio e vida consagrada que se verifica em muitas regiões, fica a dever-se à “falta de um fervor apostólico contagioso nas comunidades, o que faz com que as mesmas sejam pobres de entusiasmo e não suscitem fascínio”.

“Onde há alegria, fervor, ânsia de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas, nomeadamente as vocações laicais à missão”, refere.

A Igreja Católica assinala o Dia Mundial das Missões no terceiro domingo de Outubro, mês missionário, este ano no dia 19.