Por Renato Moura

Cada vez fica mais claro que o Papa Francisco se dedica a olhar com muita profundidade para o interior da Igreja e mantém um espírito de humildade no reconhecimento das imperfeições e erros inevitáveis numa organização com a dimensão da Igreja Católica.

O Sumo Pontífice é sobretudo muito corajoso na forma como aborda os problemas que o preocupam, absolutamente directo nas orientações que transmite aos pastores e nas mensagens de apelo e esperança que dirige aos leigos, aparecendo umas e outras sempre fundadas na eminente interpretação dos ensinamentos de Jesus.

Um dos recentes apelos do Papa foi para um maior protagonismo dos leigos na Igreja, mas esclareceu que não se trata de manter uma “elite laical acreditando que são leigos comprometidos apenas aqueles que trabalham em coisas «dos padres»”.

O Sumo Pontífice transmitiu, a propósito, que o clericalismo deve ser combatido pois “limita as diversas iniciativas e esforços, e, ousaria dizer, as audácias necessárias para poder levar a Boa Nova do Evangelho a todos os âmbitos da actividade social e, sobretudo política”, vincando com toda a frontalidade que “ninguém foi baptizado padre nem bispo”, nem a Igreja é “uma elite dos sacerdotes, dos consagrados, dos bispos”. E vinca “fomos baptizados leigos, e esse é o sinal indelével que nunca ninguém poderá apagar”.

Pensamos que seria prestar um mau serviço à Igreja inventar chaves para interpretar os recados do Papa, ou até mesmo tentar escrever de forma diferente aquelas que são as suas claras mensagens e por isso se transcreve, por amor à fidelidade, mais este trecho “é ilógico, e até mesmo impossível, pensar que nós, como pastores, devemos ter o monopólio das soluções para os múltiplos desafios que a vida contemporânea nos apresenta. Ao contrário devemos ficar do lado da nossa gente, acompanhando-a nas suas buscas e estimulando aquela imaginação capaz de responder à problemática actual. E isso discernindo com a nossa gente, e nunca pela nossa gente ou sem a nossa gente. Como dizia Santo Inácio ‘segundo as necessidades de lugares, tempos e pessoas’. Ou seja, não uniformizando. Não é possível dar directrizes gerais para organizar o povo de Deus dentro da sua vida pública”.

Francisco dirige-se a todos e responsabiliza todos: os leigos pois “fazem parte do Santo Povo fiel de Deus e, portanto, são os protagonistas da Igreja e do mundo”: também os pastores pois “nós somos chamados a servi-los, não a nos servir deles”.

Sejamos uns e outros capazes de cumprir o dever, com a ajuda de Deus.