Último sacerdote desta comunidade brasileira de Vida Consagrada sai de Rabo de Peixe, ao fim de 11 anos ao serviço da diocese de Angra

Chegaram há 11 anos aos Açores pela mão do bispo de então, D. António de Sousa Braga com o propósito de evangelizar de todas as formas com alegria, cientes de que onde estão é onde Jesus quer. No final deste mês partem da última paróquia que serviram: Rabo de Peixe na ilha de São Miguel, uma das mais numerosas e com inúmeros problemas sociais, sobretudo ao nível de comportamentos sociais de risco e de pobreza, com cerca de um terço da população a beneficiar do rendimento social de inserção.

“Com a nomeação de um novo Padre para a Paróquia do Senhor Bom Jesus, a Comunidade Obra de Maria dá por finda a sua missão naquela Vila, onde tão sábia e espiritualmente conduziu os destinos daquela grande messe, onde residem cerca de dez mil almas” refere António Pedro Costa, presidente da Fundação Pia Diocesana Nossa Senhora das Mercês, nas Calhetas de Rabo de Peixe, e paroquiano desta comunidade piscatória, num artigo publicado aqui no Sítio Igreja Açores.

“Se qualquer partida provoca tristeza, neste caso, fica a alegria de que tudo fez para semear concórdia entre o nosso povo que inspiradamente soube guiar” refere o dirigente elogiando o trabalho do sacerdote, padre José Cláudio,  que “espalhou de forma tranquila paz e serenidade por toda a Vila, com a sua palavra e postura cândida e amiga, plantando amizades por onde passava e que irão perdurar para além da sua partida”.

“O seu múnus sacerdotal foi um autêntico testemunho espiritual que nos cativou pela sua simplicidade e dom da palavra. O seu sorriso e o tom tranquilo da sua postura sábia e carinhosa mostra bem como ele é um verdadeiro homem de Deus que habitou entre nós”, adianta o articulista.

“Para muitos paroquianos que passaram por momentos difíceis, a sua presença foi como um anjo que trouxe paz, luz, conforto e esperança, para corações e espíritos feridos, abatidos, fracos e sem esperança” salienta destacando a “dedicação, a atenção, a meditação, o cuidado e o carinho” dispensados pelo padre José Cláudio a toda a comunidade durante os 8 anos que esteve na ilha.

“A Obra de Maria mostrou a sua responsabilidade na missão que teve nesta vila, a preocupação permanente na valorização e manutenção do património religioso que foi uma constante, graças às milhares de moedinhas que foram amealhadas, também com o apoio da nossa diáspora, em que todos se mobilizaram para se arrecadar os montantes suficientes para as inúmeras obras concretizadas, com tanta eficácia. O seu nome ficará gravado nos anais desta Paróquia” pode ler-se no artigo.

Natural do estado brasileiro do Paraíba, o padre José Cláudio veio para os Açores há oito anos. E, quando surgiu esta hipótese, nem sabia onde ficava o arquipélago. Mas, como a missão era esta, aceitou-a porque “era a vontade de Deus e veio”. Na bagagem trouxe apenas uma enorme disponibilidade para escutar, aprender e conhecer.

“Um missionário não escolhe o lugar para onde vai, nem a paróquia que vai integrar nem as pessoas que vai encontrar”, sublinhava numa entrevista ao Sítio Igreja Açores há quatro anos, lembrando que onde está a igreja está em casa, porque “onde há cristãos há família” e na Igreja de Jesus Cristo “o que importa é fazer o bem sem olhar a quem”.

A comunidade Obra de Maria é uma das novas comunidades de vida consagrada. Nasceu no Brasil pela mão do pernambucano Gilberto Gomes Barbosa há 30 anos e veio para os Açores a convite do atual prelado, D. António de Sousa Braga.

Uma das marcas da sua presença é a forma celebrativa, profundamente inspirada nos movimentos carismáticos,  com que os seus missionários levam o Evangelho onde quer que haja pessoas. Podem celebrar a palavra na Igreja, na casa de uma família ou na rua, o importante “é tocar o coração das pessoas, falar-lhes de Jesus e levá-las à conversão”, dizia ainda o sacerdote, “sempre a partir da sua própria realidade porque nós não podemos impor nada”.

A comunidade esteve em Rabo de Peixe, na ouvidoria da Ribeira Grande e em Ponta Graça, na ouvidoria de Vila Franca do Campo. O sacerdote que serviu em Ponta Graça, padre Oniel Ramiro, regressou o ano passado ao Brasil.