Confraria foi fundada em 1869 e nunca teve mulheres nos seus corpos dirigentes

“Integrar e dar mais protagonismo às senhoras” que têm “uma sensibilidade diferente” é o principal objetivo da decisão da nova Mesa Administrativa da Confraria do Santíssimo da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela, na Ribeira Grande, ilha de São Miguel, que acaba de integrar pela primeira vez senhoras nos seus corpos diretivos.

Em declarações ao Sítio Igreja Açores, o novo provedor, Filomeno Gouveia, admite que a solução “é original” e “pouco comum” mas “não havendo nada nos estatutos que o impedisse e reconhecendo que as senhoras têm um papel muito importante na Igreja, o que nem sempre lhes é reconhecido, decidimos propor a paridade na composição dos nossos órgãos sociais”. Aliás decisão também aplaudida pelo anterior provedor, Ferdinando Ferreira.

Este domingo, no final da missa das 11h00, tomou posse a nova Mesa Administrativa da Confraria que integra três homens e três senhoras: Filomeno Gouveia (Provedor); Maria José Lopes Garcia (Secretária); Gualberto Cabido Faria (Tesoureiro); Albano Garcia; Zélia Rego Janeiro e Maria Cidália Tavares Almeida(todos Vogais).

A Confraria tem 100 irmãos e a ideia é, no próximo ano pastoral, “angariar mais irmãos”, promovendo em cada uma das sete paróquias da ouvidoria um irmão de ligação que possa desenvolver várias atividades e um contacto permanente com a mesa.

“Esta Confraria tem um papel muito significativo, desde logo porque é uma confraria com dimensão de ouvidoria e, depois, porque está muito ligada a questões sociais”, lembra o novo Provedor, que integra a Confraria desde os 27 anos de idade.

Esta peculiaridade prende-se com a história da Confraria que no inicio cumpria “um pouco o papel de junta de freguesia”. O seu primeiro Provedor era o Regedor e manteve sempre essa ligação mesmo quando surgiram os primeiros órgãos do poder local, muito mais tarde.

Uma das missões da Confraria é organizar a Procissão do Corpo de Deus e, no passado, por exemplo quando o Presidente da Câmara saía dos Paços do Concelho para incorporar a procissão tocavam os sinos da Igreja, lembra Filomeno Gouveia.

Além disso, a Confraria é a principal detentora do espólio museológico da Igreja Matriz da Ribeira Grande. Inclusive o Arcano Místico que hoje é considerado Tesouro Regional, continua a ser propriedade desta Confraria por legado da sua criadora, a Madre Margarida do Apocalipse, que no testamento, deixou à Confraria, ainda, a incumbência de celebração de uma missa, em honra a São João Evangelista de quem era especialmente devota, dois dias depois do Natal.

Embora, atualmente a principal missão da Confraria seja a organização das Solenidades do Corpo de Deus, o novo Provedor tem outros objetivos.

“No próximo ano pastoral queremos criar grupos de oração que interajam mais com outros movimentos paroquiais, respeitando naturalmente a sua autonomia e carisma, mas colaborando de forma mais ativa”, acrescentou dizendo ainda que, assinalando-se o Ano Santo da Misericórdia e a Família, também está entre as prioridades “a organização de conferências trimestrais sobre esses temas”.

Para já, hoje, a nova Mesa tem a sua primeira organização com a celebração do tríduo preparatório da festa do Corpo de Deus. Esta terça feira, amanhã e depois, a partir das 20h00, a Igreja Matriz da Ribeira Grande recebe a presença do Pe Hélder Cosme, pároco de São Roque, que pregará sobre a “Eucaristia: um dom para a missão”. Na sexta feira durante todo o dia realiza-se o sacramento da reconciliação e no sábado, a partir das 18h30 celebra-se a missa e a exposição do Santíssimo, com adoração animada entre as 20h00 e as 22h00 pelos Romeiros, Catequistas e Mesa do Santíssimo.

No domingo, a Missa Solene tem lugar às 17h00, seguida de procissão, integrando todas as crianças que fizeram a sua primeira comunhão nesse domingo.