Reunido em Ponta Delgada, entre 30 de abril e 2 de maio, o Conselho destacou a necessidade de uma Igreja mais aberta, missionária e próxima das pessoas, apostando na escuta, no diálogo e em novas formas de presença no mundo atual

O Conselho Pastoral Diocesano reuniu-se em Ponta Delgada, entre os dias 30 de abril e 2 de maio, num encontro marcado por um apelo à renovação e à abertura da Igreja aos desafios contemporâneos, informa o comunicado do Conselho Pastoral Diocesano enviado ao Sítio Igreja Açores.
“Longe de uma atitude autorreferencial, os trabalhos centraram-se na procura de novas formas de ser Igreja, capazes de responder com realismo e coragem às profundas transformações sociais” refere o comunicado do Conselho Pastoral Diocesano.
Um dos sinais mais significativos deste caminho foi a valorização de um verdadeiro exercício de escuta, que incluiu o testemunho de uma pessoa que se reconhece mais afastada da vivência eclesial.
“Escutar o diferente, acolher outras perspetivas e deixar-se interpelar por elas foi apontado como essencial para construir uma Igreja mais próxima, compreensiva e fiel à sua missão” refere o comunicado.
O Conselho retomou a visão de uma Igreja “em saída”, comprometida em ir ao encontro de todos, especialmente dos mais frágeis e dos que se afastaram. Nesse sentido, foi proposta a “dinamização de uma pastoral do ´bater à porta´, a desenvolver pelas comunidades com o envolvimento de leigos voluntários”. Sublinhou-se também a importância de uma presença efetiva da Igreja na sociedade, capaz de influenciar positivamente as decisões em ordem ao bem comum, inspirada na pedagogia da Ação Católica — ver, julgar e agir, pode ler-se no comunicado.
Foram igualmente destacadas como prioritárias as questões do diálogo ecuménico e inter-religioso, bem como a necessidade de os cristãos s”erem sinais de esperança e testemunhas de alegria”. Para tal, o Conselho apontou a importância de reforçar espaços de experiência espiritual, adequados às famílias e aos jovens, revitalizando iniciativas já existentes, como os Retiros Shalom, os Cursilhos e os retiros do Movimento da Mensagem de Fátima, e acolhendo propostas como a Oração de Taizé e os Grupos Alpha.
No âmbito do caminho pastoral da Diocese, foi feita uma referência ao triénio em curso.
Concluído o primeiro ano, dedicado ao tema “Cristão, que dizes de ti mesmo?”, centrado no Batismo, inicia-se agora uma nova etapa sob o lema “Como chegar à outra margem”. Este segundo ano propõe uma reflexão sobre a missão da Igreja junto dos batizados que se afastaram e de todos aqueles que permanecem distantes”, refere o comunicado.
O comunicado sublinhou ainda a “dimensão profética da Igreja, chamada não só a acompanhar o mundo, mas também a iluminá-lo à luz do Evangelho”.
“Ser profético hoje implica questionar práticas instaladas, denunciar o que fere a dignidade humana e anunciar horizontes de esperança, justiça e fraternidade. Ao promover o diálogo com diferentes sensibilidades, a Igreja reafirma o seu compromisso de renovação e de corresponsabilidade, onde todos são chamados a ser protagonistas” pode ler-se no comunicado.
Segundo o comunicado, o Conselho deu o seu contributo para a reflexão de dois temas atualmente em estudo na Diocese: a criação de Unidades Pastorais e a definição de critérios para o acolhimento de pais e padrinhos no sacramento do Batismo, matérias que continuam em processo de discernimento.
O Conselho Pastoral Diocesano é um órgão de consulta do bispo e reúne leigos, presbíteros e consagrados, nas sua maioria representantes das estruturas da diocese sejam os serviços, as ouvidorias ou os movimentos de apostolado.