
O Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) promoveu em Belgrado, na Sérvia, o 53.º Encontro Anual dos Secretários-Gerais das Conferências Episcopais da Europa, sobre o tema do sacerdócio num continente que vive uma época de “apocalipse cultural”.
De acordo com o bispo Alfonso Amarante, reitor da Pontifícia Universidade Lateranense, a Europa contemporânea vive uma época de “apocalipse cultural sem eschaton”, sem o “fim dos tempos”, e é nesse contexto que os sacerdotes são chamados a exercer “a beleza do ministério presbiteral” num “mundo complexo”.
De acordo com um comunicado de imprensa do CCEE, a conferência de D. Alfonso Amarante identificou “alguns traços que incidem diretamente sobre o ministério, como o analfabetismo interpretativo, a perda da relação mestre-aluno e a omnipresença dos meios de comunicação social e da IA, sublinhando que a crise não se resolve com medidas superficiais”.
Na conferência de abertura do encontro de secretários-gerais da Europa, o reitor da Pontifícia Universidade Lateranense apontou três desafios que, na atualidade, são colocados aos sacerdotes, nomeadamente “a identidade relacional do ministério ordenado ‘com’ e ‘entre’ o povo, a forma de tornar os seminários ‘lugares reais’ e viver a pobreza como um verdadeiro seminário para esta época”.
O segundo dia de trabalhos, os secretários-gerais das conferências episcopais da Europa ouviram a reflexão da psicóloga e psicoterapeuta Chiara D’Urbano sobre “a formação psicoafetiva para o sacerdócio: perspetivas das ciências humanas”.
Chiara D’Urbano alertou para necessidade “de preservar, na formação, a pessoa real do sacerdote, e não se limitar a construir apenas uma função, sublinhando que o equilíbrio e o bem-estar da pessoa passam pelo acolhimento e integração das dimensões psicoafectivas.
Os trabalhos contaram ainda com uma comunicação do padre Michele Gianola, secretário da Secção de Vocações/EVS do CCEE, sobre o tema “O ministério presbiteral: caminho permanente de formação”.
Bispos da COMECE “profundamente preocupados com novo regulamento das migrações
“A votação (Pelo Parlamento Europeu) levanta uma questão mais ampla sobre o tipo de Europa que desejamos construir. Neste momento decisivo, a Europa é chamada não a afastar-se dos seus valores fundadores, mas a reafirmá-los com coragem, sabedoria e humanidade”, salientou o presidente da COMECE, em nota publicada, esta quarta-feira, 17 de junho, após a votação no Parlamento Europeu.
A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia pronunciou-se sobre a aprovação no Parlamento Europeu do novo Regulamento relativo ao regresso de migrantes – 418 votos a favor, 218 contra e 30 abstenções -, que complementa o Pacto sobre Migração e Asilo.
D. Mariano Crociata, presidente da COMECE, afirma que este organismo “continua profundamente preocupado” com aspetos do novo quadro que podem “comprometer a proteção efetiva dos direitos fundamentais e da dignidade das pessoas vulneráveis”, e destaca, em particular, “o alargamento da detenção, as limitações aos recursos e recursos de apelação efetivos”, e a crescente externalização de responsabilidades para países terceiros que “levantam sérias questões éticas e humanitárias”.
“A migração não é apenas uma questão de procedimentos, estatísticas ou gestão das fronteiras. Diz respeito a seres humanos: mulheres, homens e crianças, cada um dos quais possui uma dignidade inviolável que deve permanecer no centro de todas as decisões políticas.”
A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia reconhece a “responsabilidade legítima” das autoridades públicas na gestão da migração, mas reitera o seu apelo para que “as políticas de migração e asilo continuem firmemente assentes no respeito pela dignidade humana”, pelos direitos fundamentais, pelo direito de pedir asilo, pela proteção da unidade familiar. e pela atenção especial aos mais vulneráveis.
O presidente da COMECE, bispo de Latina (Itália), afirma que “segurança e a solidariedade não são princípios opostos”, e lembra que a União Europeia foi fundada com base na convicção de que “a dignidade humana é inviolável”, que a solidariedade entre os povos não é um ideal opcional, mas “uma responsabilidade fundamental”.
Segundo D. Mariano Crociata, a Europa “não pode afirmar” que defende esses valores “enquanto se habitua que o Mediterrâneo e o Atlântico sirvam de cemitérios silenciosos”.
Os bispos das Conferências Episcopais da União Europeia fazem eco do apelo do Papa Leão XIV à comunidade internacional, na viagem à Espanha, entre 6 e 12 de junho, onde visitou Madrid, Barcelona e centros para migrantes em duas ilhas do arquipélago das Canárias, na nota onde assinalam que os países de origem, de trânsito e de destino partilham “a responsabilidade de abordar as causas profundas que obrigam as pessoas a migrar, e de proteger aqueles que se encontram em movimento”.
Esta quarta-feira, dia 17 de junho, o Papa alertou para as fraturas causadas pelo atual sistema de progresso, exigindo a adoção de estratégias políticas articuladas para gerir a chegada de deslocados, na Praça de São Pedro, no Vaticano.
(Com Ecclesia)
