Vitória Furtado destaca apoio das Instituições Particulares de Solidariedade Social às populações na pandemia

A coordenadora do Centro Paroquial e de Bem-estar Social de São José, em Ponta Delgada, apela a uma atenção “mais cuidadosa” para a área da saúde mental e assinala que as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) estão “na linha da frente”, durante a pandemia.

“O distanciamento social, o isolamento, a adoção de comportamentos para protegermos a nossa saúde e a dos outros constituem mudanças que, para algumas pessoas, causam uma grande depressão psicológica”, explicou Vitória Furtado, no programa de rádio ‘Igreja Açores’.

A psicóloga afirma que se está “em tempo de olhar de forma mais cuidadosa para a área da saúde mental”.

Hoje assinala-se o Dia Internacional da Saúde Mental.

Segundo a coordenadora do Centro Paroquial e de Bem-estar Social de São José a pandemia da Covid-19 apresentou desafios para chegarem a mais pessoas e salienta que as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) “estão na linha da frente procurando”, de forma incansável, “dar resposta às situações concretas de vida das populações que acompanham”.

“Temos muitas IPSS no terreno e cada uma à sua maneira vai correspondendo às populações de proximidade como pode”, acrescenta a psicóloga.

Para Vitória Furtado “coragem e adaptação” são as palavras de ordem imediatas mantendo “a qualidade dos serviços” e “antecipando novas dificuldades” de “novos problemas”.

O centro paroquial e de bem-estar social é responsável pela Vila Azálea, na freguesia da Fajã de Cima, em Ponta Delgada, que acolhe pessoas com problemas de Saúde Mental.

“Somos frágeis e sabemos pouco sobre a pandemia”, mas existe serenidade afirma a vigária provincial das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, congregação que tem como carisma o acolhimento às pessoas com sofrimento psíquico e doença mental.

A irmã Idília Carneiro, afirmou à Agência Ecclesia que este tempo de pandemia apanhou “de surpresa” esta congregação que tem como carisma “o acolhimento às pessoas com sofrimento psíquico e doença mental”.

“Tem sido um tempo de graça” porque tem revelado o que “de melhor temos dentro de nós” e existe “uma rede grande de solidariedade, onde se inclui uma articulação com as autarquias locais”, aponta a responsável.

O covid-19 e “a doença em si” exige mais dos cuidadores, disse a irmã Idília Carneiro que é também vice-presidente do Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus.

As consagradas e colaboradores participam nos serviços e reconhecem que os primeiros meses “foram bastante intensos” na prestação de cuidados e na organização interna.

Os meios humanos e técnicos – “sem esquecer as ajudas das entidades de saúde” – foram fundamentais, mas muito deve-se “à força de Deus”, sublinhou a responsável.

A espiritualidade é uma das dimensões “fundamentais” e nos momentos onde a fragilidade e a vulnerabilidade é visível leva as pessoas “a olhar para o interior”.

O momento atual situa as pessoas “perante a nossa verdade” e que “a história não é nossa”.

Estes dados mostram a “impotência” do ser humano e direcionam as pessoas para “outras dimensões”, frisou a irmã Idília Carneiro.

“Nunca se pode esquecer que mais do que a sua doença, elas são pessoas” e “têm a sua forma de enfrentar a realidade”.

Embora a situação atual obrigue a “cuidados muito específicos”, estas consagradas olham para as “pessoas como um todo”.

A congregação tem duas casas nos Açores, onde está desde há 53 anos, e é responsável pela prestação de cuidados a pessoas com doença mental do sexo feminino em Ponta Delgada- Casa de Saúde de Nossa Senhora da Conceição e em Angra do Heroísmo- Casa de Saúde do Espírito Santo, ambas reconhecidas e certificadas pela qualidade dos seus serviços

de saúde com um elevado padrão de conforto, satisfação, segurança e qualidade.

A Congregação desenvolve uma atividade assistencial, desde a prevenção ao tratamento, reabilitação e reintegração social no âmbito da psicogeriatria, psiquiatria e deficiência mental.

(Com Ecclesia)