Serviço diocesano lidera a consulta com vista à preparação de um documento final diocesano que será enviado à Conferência Episcopal Portuguesa

O Serviço Diocesano para a Pastoral Familiar e Apostolado dos Leigos vai liderar, a pedido do Bispo de Angra, o processo de consulta dos vários movimentos ligados à Família sobre o documento preparatório para a assembleia de bispos em 2015, informa uma nota a que o Sítio Igreja Açores teve acesso esta sexta feira.

O documento preparatório (Lineamenta) para o Sínodo 2015, no qual se apresentam 46 perguntas sobre temas como a pastoral dos divorciados ou acolhimento dos homossexuais, para além das propostas sobre o “Evangelho da Família”, preparado pelo Vaticano para todas as dioceses do mundo, acaba de ser enviado para todas as ouvidorias ( com particular destaque para os 16 Casais de ligação e os casais responsáveis a nível paroquial) e movimentos relacionados com a pastoral da família na diocese de Angra – Movimento dos Cursos de Cristandade, Movimento dos Romeiros, Centro de Preparação para o Matrimónio, Famílias Novas (Focolarinos), Famílias de Nazaré, Encontros Matrimoniais e Equipas de Nossa Senhora- que devem responder às questões até ao próximo dia 15 de fevereiro, para o endereço pastoralfamiliar.acores@gmail.com.

As respostas serão depois analisadas e resumidas num documento síntese a elaborar pelo Serviço Diocesano da Pastoral Familiar que, até ao dia 28 de fevereiro, deverá enviar para o prelado diocesano uma proposta final, a partir da qual será definida a posição diocesana a enviar à Conferência Episcopal Portuguesa, como aconteceu aquando da preparação da Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Família, em outubro passado.

O documento preparatório para assembleia de bispos que se realiza neste ano de 2015 apresenta 46 perguntas sobre os mais variados temas, entre os quais a pastoral sacramental em relação aos divorciados “que precisa de um novo aprofundamento”, assinala o texto, que acrescenta as questões e algumas reflexões ao relatório final da assembleia geral extraordinária do Sínodo que decorreu em outubro de 2014.

O documento pede sugestões para “precaver formas de impedimentos indevidos ou desnecessários”, no caso destas pessoas, que estão atualmente afastadas do acesso à Comunhão.

“Como tornar mais acessíveis e ágeis, de preferência gratuitos, os procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade?”, é outra das perguntas.

“O cuidado pastoral das pessoas com tendência homossexual coloca hoje novos desafios, devido também à maneira como são socialmente propostos os seus direitos”, pode ler-se, na versão original, em italiano, divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé, no qual se fala na necessidade de uma pastoral com a “arte do acompanhamento”.

Os ‘lineamenta’ apelam, ainda, a um compromisso mais efetivo na “transmissão da vida” e para enfrentar o “desafio da quebra da natalidade”.

“Como é que a Igreja combate a chaga do aborto, promovendo uma cultura eficaz da vida?”, questiona-se.

Os vários organismos, incluindo as dioceses, que recebem o documento são chamados a envolver, na sua discussão, as comunidades católicas e “instituições académicas, organizações, movimentos laicais e outras instâncias eclesiais”, a fim de “promover uma ampla consulta sobre a família segundo a orientação e o espírito do processo sinodal”.

As perguntas abordam as questões ligadas às uniões de facto e casamentos civis, alertando também para a “difusão do relativismo cultural na sociedade” que leva à “rejeição, por parte de muitos, do modelo de família formado pelo homem e a mulher unidos no vínculo matrimonial e aberto à procriação”.

“Como ajudar quem vive em uniões a decidir-se pelo matrimónio?”, pergunta

Neste sentido, pedem-se “respostas fiéis e corajosas” para um novo anúncio do “Evangelho da Família”, também junto das “situações extremas”.

O documento refere-se à “relevância da vida afetiva”, ao “desejo de família” e à “grandeza e beleza do dom da indissolubilidade” do matrimónio.

O anúncio da mensagem cristã sobre a família implica ainda a luta por “condições para que cada família seja como Deus quer e venha a ser socialmente reconhecida na sua dignidade e missão”.

A este respeito, há um apelo à “denúncia franca dos processos culturais, económicos e políticos que minam a realidade familiar”.

Os ‘lineamenta’ recordam um dos temas mais debatidos na assembleia extraordinária de outubro, a preparação para o matrimónio e o acompanhamento dos casais nos primeiros anos de vida a dois, questionando sobre os “percursos” e propostas de formação que existem.

No próximo dia 6 de janeiro, pelas 20h30, realiza-se já a primeira reunião do Secretariado do Serviço Diocesano para analisar estes documentos e no dia 9, a equipa reunirá com todos os casais responsáveis pela pastoral familiar ao nível da ouvidoria de Ponta Delgada bem como representantes dos vários movimentos relacionados com a família.

Nesta reunião, que será dirigida pelo ouvidor de Ponta Delgada que é também o responsável pelo Serviço Diocesano da Pastoral familiar, Pe José Medeiros Constância, haverá, também uma preparação da Festa de São Sebastião (Matriz de Ponta Delgada) que se realiza no dia 18 de janeiro, pelas 17h00, que terá, este ano, um enfoque muito especial nas questões da família.

Esta reunião realiza-se no Centro Paroquial da Matriz, em Ponta Delgada e tem como ordem de trabalho uma análise à Situação da Pastoral Familiar na Diocese e na Ouvidoria de Ponta Delgada.