Por Renato Moura

Aproximam-se as eleições para a Assembleia Legislativa dos Açores e já estão na rua, desde as cidades aos lugares, o ruído dos carros e os cartazes de campanha eleitoral.

Há uns anos as propostas transmitiam-se nas sessões de esclarecimento que chegavam a todos os lugares e os eleitores apresentavam perguntas, exprimiam adesão, mas também expressavam contestação. Hoje fazem-se comícios, oferecem-se transportes e ou comida e resta aplaudir discursos feitos para empolgar.

Os cartazes aumentaram acompanhando o alargamento e proliferação das rotundas. Os símbolos diminuíram tanto quanto a ideologia que identificavam. As caras dos líderes aumentaram na medida que cresceu o respectivo poder pessoal dentro dos partidos. As mensagens escritas diminuíram tanto quanto a democracia interna.

Até alguns dos que afirmam que não se trata de eleição para presidente do governo, não resistem ao deleite de terem também a sua cara a liderar os cartazes!

Os enfeites dos carros de campanha e o ruído que difundem nada ou quase nada trazem de esclarecimento. O facto de os partidos alegadamente serem de direita ou de esquerda não chega para adivinhar as respectivas práticas quando no poder e assim hoje faz mais falta do que nunca conhecer os programas eleitorais. Infelizmente creio que os debates, que frequentemente viram em vozearia, não servem para distinguir as propostas eleitorais, ou sequer perceber se realmente existem e quem as tem. Os tempos de antena e os panfletos que enchem as caixas de correio estão concebidos para vencer, mas provavelmente não chegam para convencer.

Neste enquadramento perverso – que uns podem alegar que peca por excesso, mas muitos sentem que por defeito – só resta aos eleitores que queiram votar conscientemente, sacar por todos os meios mais informação, confrontar os candidatos, não se contentar com os brindes de campanha e obrigar a que se expliquem, exigir-lhes compromissos, que nascem primeiro da ilha que os elegeu, depois da Região que vão servir. Deputados em obediência ao povo e nunca ao governo.

Aos candidatos que exerceram mandato e voltam a candidatar-se, há que obrigar a que justifiquem o que fizeram e a explicarem-se pelo que não cumpriram. E esta análise, por mais que os desgoste, seria mais do que suficiente para alguns não serem reeleitos.

Para bem votar há que ser capaz de distinguir entre propaganda e mensagem, entre sonho e realidade. E por mais desumano que possa parecer, diferençar as verdades das mentiras e distinguir os homens sérios dos desonestos.