Segundo dia da V Jornada Diocesana de Comunicação coloca a tónica na necessidade de humanizar a rede e utilizá-la para “nos fazermos próximos uns dos outros”

As redes sociais são “ruidosas”, provocam a “erosão da confiança” e muitas vezes geram “desinformação” afirmou esta noite Luís António Santos professor e investigador de ciências da Comunicação na Universidade do Minho na conferência que proferiu no segundo dia da V Jornada Diocesana de Comunicação, organizada pela diocese de Angra.

”As redes provocam uma erosão de confiança e, quando isto acontece, cria-se o vazio “ que “é um campo aberto para a desinformação” afirmou o docente da Universidade do Minho.

Integrado num painel sobre a “Rede marcada pelos valores cristãos: itinerários de uma evangelização ao ritmo dos tempos”, Luís António Santos assinalou a importância da Igreja estar nas redes sociais “com uma linguagem responsável” ciente de que “somos todos membros uns dos outros” e , por isso, é necessário “empenho para combater a desinformação que muitas vezes se instala na rede”.

“A tarefa não é fácil”, lembrou o docente, até porque o discurso instalado “muitas vezes é violento, falso e perturbador”, movido por interesses, marcados pelo desejo de “influência e poder”. Luís António Santos, alertou ainda para o facto de muita informação que circula nas redes ser de difícil verificação contaminando todo o espaço público e contagiando os próprios media tradicionais. O docente universitário sublinhou, ainda, alguns dos pressupostos que hoje criam “a tempestade perfeita” nesta desordem. Fenómenos como a empresarialização do social, a desvalorização sistemática do debate, a burocratização da vida humana e a solidão do individuo contribuem para a criação de problemas que afetam a credibilidade da informação.

“Quando começamos a não saber distinguir entre aquilo que é verdade e o que não é, embora pareça que seja, então estamos a enveredar por um caminho problemático”, disse o investigador que citou Papa Francisco alertando para algumas tentações dos media como a “calunia”, a “desinformação e “a difamação”, qua ainda assim “não nos deve desanimar”, concluiu.

No segundo dia da V Jornada Diocesana de Comunicação sobre “Redes Sociais: itinerários para um encontro”, promovida pelo Serviço Diocesano da Pastoral das Comunicações Sociais no Seminário Episcopal de Angra, Ricardo Cunha Santos, empreendedor, lembrou que as redes sociais criaram “um novo paradigma” na comunicação, que impõe “novos desafios” e constitui para a Igreja uma “nova terra de missão”.

“As redes sociais criam ferramentas que podem otimizar os canais para a Igreja passar a mensagem”, disse, sublinhando que “quem comunica faz-se próximo”.

A partir de dados quantitativos sobre o número de `habitantes´ nas redes, o tempo que lhes dedicam e a forma como o fazem, Ricardo Cunha Santos alertou para a “falta de liberdade” dentro da rede, para a interdependência de conteúdos e plataformas, alertou para a necessidade de “humanização do continente digital” que “tendo perigos” se assume como “uma grande oportunidade de comunicação”.

“O tempo que passamos nas redes deve ser gasto em influência, criando conteúdos apelativos que falem a linguagem da rede” e essa linguagem passa por “identificar o alvo”, “definir uma estratégia”; “adequar a mensagem”, “manter a coerência da imagem”, “criar hábitos e dinâmicas” e garantir “interação nos conteúdos”.

Para Ricardo Cunha Santos, uma das boas práticas de comunicação da rede é através da imagem e por isso “há que potenciar o vídeo”.

A V Jornada Diocesana de Comunicação decorreu durante dois dias em Angra e segundo o bispo de Angra foi um “momento de aproximação, reflexão e debate sobre uma realidade à qual a Igreja não pode virar costas”.

“Temos de ser capazes de estar na rede e olhar para ela humanizando-a”, disse D. João Lavrador no encerramento.

“Temos de ser capazes de tornar a comunidade da rede numa autêntica comunidade que promova o encontro com o próximo”, disse.