Por Renato Moura.

Iniciou-se o Ano Santo extraordinário. Acontecimento relevante. Apenas o terceiro da longa vida da Igreja Católica. Começou-se a viver o Jubileu da Misericórdia.

Visa-se criar as condições para proporcionar o perdão para crimes graves, demonstrando com a maior evidência que Deus é misericordioso, que veio para salvar e não para condenar.

Estou absolutamente convicto que Deus será indulgente para muitos daqueles que aparentemente se encontram fora das condições oficiais fixadas e que impedem alguns de recorrer ao pedido formal de perdão.

O Papa Francisco proclamou que se “exige que cada católico procure uma vida de abertura ao outro, de amor e de perdão” acrescentando que “a misericórdia e o perdão não podem ser meras palavras, mas têm de realizar-se na vida diária” e “sem interrupções ou excepções”.

A doutrina é tão importante que não recomenda apenas aos católicos, mas pode aproveitar a toda a humanidade. Servirá para o aprofundamento da fé e da prática dos católicos, mas acredito que, em resultado da admiração crescente que o Papa Francisco vem granjeando, haverá de contribuir para que a misericórdia tenha mais autores e mais beneficiários.

Sempre entendi que, embora deva existir separação entre o Estado e as religiões, os poderes públicos e as instituições, nomeada e principalmente as sociais, seja ao nível nacional, regional ou local, não podem deixar de ter em conta os grandes princípios e convicções que norteiam a maioria do povo, sob pena de não o respeitarem. Como também sempre esperei que a formação de cada responsável político, ou de cada dirigente institucional, tenha influência na respectiva actuação.

Estão agora a ser insistentemente relembradas as obras de misericórdia corporais e espirituais que a Igreja Católica ensinou, como sejam, por exemplo: dar de comer ou de beber a quem tem fome ou sede, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, visitar os enfermos e os presos, dar bons conselhos, ensinar os ignorantes e corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias.

Não seria necessária uma leitura muito extensiva das obras de misericórdia para os responsáveis, ao nível político e social, possuidores de boa vontade e espírito de serviço, operarem, se não uma revolução, pelo menos um aperfeiçoamento profundo na forma de aceitar os adversários, entender as carências e agir em prol dos que necessitam. E se necessário os católicos têm o dever de os pressionar.

Que da misericórdia se concretizem ansiadas esperanças, na Igreja e na sociedade.