Por Renato Moura

Passaram já umas dezenas de anos sobre uma derrocada no rochedo sobranceiro ao lugar do Ponta, da freguesia da Fajã Grande, nas Flores, que destruiu e danificou imóveis e também uma ermida. Como houve fundadas dúvidas sobre a eventual ocorrência de outras derrocadas, foi decidido retirar dali, definitivamente, os habitantes e dar-lhes apoios para residirem noutro local.

Passado tanto tempo, não se considera que a zona ofereça hoje maior perigo do que as inúmeras localidades habitacionais ou de férias existentes nos Açores, situadas junto ao mar e encimadas por rochedos. Assim a Ponta da Fajã Grande foi progressivamente voltando à ocupação, seja para habitação permanente ou temporária. A lei da vida foi levando os naturais do lugar e agora só ali habitam permanentemente uma meia dúzia, vindos de fora. A zona é, cada vez mais, local privilegiado para fim-de-semana e férias.

A Ponta tem igreja; a Padroeira é Nossa Senhora do Carmo. Regressados alguns naturais e enquanto houve ali um número mínimo de participantes na Missa, um sacerdote deslocava-se para celebrar ao sábado. E retomou-se a Festa em honra da Padroeira.

Merece registo o facto de os oriundos da Ponta, residentes onde quer que seja, ou mesmo emigrados, continuarem a contribuir para a sua antiga paróquia, com enorme generosidade. Em acção coordenada pela zeladora da Igreja, Dina Serpa Salvador, está em curso uma completa recuperação do templo, não só com base nos donativos recolhidos do exterior, mas através da criação de uma vasta e competente equipa, que tem promovido um conjunto de iniciativas locais de angariação de fundos.

No passado fim-de-semana realizou-se a festa de Nossa Senhora do Carmo, precedida de tríduo preparatório, com recitação do Terço e Missa, Eucaristia Solene no Domingo seguida de procissão. A organização da festa atingiu este ano um apogeu, não só pelo cuidado posto na ornamentação do templo e do espaço festivo, mas pelas excelentes condições de acolhimento oferecidas aos visitantes, seja no restaurante ou na tasca, como pela animação musical, ou até pelos sinais de festa do estalejar dos foguetes, algo já invulgar na ilha.

Na festa da Ponta, como aliás nas demais iniciativas na Fajã Grande, foi relevante a colaboração da Junta de Freguesia, especialmente patente na acção directa do seu Presidente, José Costa. Eventos religiosos e os demais atraíram um número invulgar de pessoas.

Apesar da adversidade que os separou, subsiste a força de um povo com fé e movido pela devoção. Que fica, para exemplo.