O Vigário Episcopal para a ilha de São Miguel, Pe Cipriano Pacheco, destaca o empenho do Papa Francisco na luta contra uma ?economia que mata? e que torna “descartáveis” os mais fracos.

“Com a eleição do Papa Francisco como “Bispo de Roma”, designação que ele fez questão de realçar relativamente ao seu modo de entender e exercer o seu ministério pontifício, a Igreja Católica tem passado por uma onda de renovação que parece tê-la apanhado de supressa.

 

É normal que, em relação a uma Instituição com o peso e a longa tradição da igreja católica, apenas um ano de pontificado não constitua tempo suficiente para dar lugar a profundas alterações. Apesar disso, a verdade é que, pelo menos o estilo e a palavra do Papa Francisco têm mexido com o mundo em geral, para além do mundo católico e com a própria Igreja.

 

Em relação ao interior da Igreja, que o digam os passos já dados em ordem à reforma da Cúria Romana, incluindo as alterações operadas em relação ao Banco do Vaticano em prol de um funcionamento insuspeitavelmente transparente.

 

Mostrando-se interessado em escutar e dar palavra aos cristãos na Igreja, o Papa Francisco tem vindo a revelar uma proximidade às pessoas e seus problemas, utilizando uma linguagem que toca e interpela quem o escuta.

 

Uma tónica muito significativa da mensagem do Papa Francisco prende-se com a pertinência com que aborda a situação dos pobres e excluídos nas sociedades atuais, fazendo-o em termos concretos e a acutilantes.

 

Veja-se o modo como denuncia os caminhos de injustiça social, por vezes, justificados como necessários ou como condição de acesso a um hipotético progresso. Neste sentido, o Papa Francisco chegou a utilizar uma expressão que impressionou, se não mesmo escandalizou alguns responsáveis do mundo da economia e finanças, ao falar de uma “economia que mata”, ao atirar para a margem, como se se tratasse de material “descartável”, os mais desprotegidos, os seus trabalhos, os jovens e idosos, entre outras faixas da sociedade marcadas pela fragilidade.

 

Tratando-se apenas de assinalar o primeiro ano de pontificado do Papa Francisco, penso não ter sido pouco o que ele fez e disse em ordem a um mundo mais justo, com lugar para todos. Importa que continue a percorrer o caminho de renovação da Igreja na fidelidade à mensagem da Jesus”.