Pelo Pe Alexandre Medeiros*

É com grande alegria que me associo ao centenário da Ouvidoria da Povoação, unindo a voz e a alma ao Te Deum que as comunidades cristãs, orientadas pelos seus pastores, elevam ao Deus vivo e verdadeiro que vive na comunhão excelsa do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

As primeiras memórias das terras da Povoação encontro-as na minha infância. Sendo natural de Ponta Garça sempre ouvi falar das magníficas festas que se celebravam para lá da lagoa das Furnas.

Fica na memória o ouvir falar da Primeira Dominga nas Furnas, com os seus artísticos tapetes de flores em louvor do Santíssimo Sacramento, das Festas do Corpo de Deus que se realizavam na longínqua Vila da Povoação; das Festas da Senhora Santa Ana nas Furnas e das Festas de São Paulo que se realizavam na vizinha Ribeira Quente.

Mesmo sem participar nestas religiosas festividades sabíamos bem as suas datas e vivíamos à distância o seu pulsar festivo.

Depois de ser Padre tive a oportunidade de tomar parte nalgumas das festas da Ouvidoria da Povoação e apreciei a grandeza da alma das suas gentes.

Momento encantador e solene – o qual guardo na minha melhor memória – foi a participação na Festa em honra do Corpo de Deus no ano de 2014.

Vi, com a alma em festa, a forma simples e solene como esta gente com alma foi capaz de louvar o Senhor Jesus – o arco-íris dos tapetes, o silêncio da fé e os harmoniosos acordes da música, louvavam a Deus de forma sublime.

Relembro também, com gostosa saudade, as duas vezes em que tive a oportunidade de tomar parte nas Festas em honra do Apóstolo São Paulo – as quais se celebram na freguesia da Ribeira Quente, em cada ano, no último dos domingos de Setembro.

Aí contemplei as saudosas lágrimas de quantos viviam do mar, senti no peito o desejo da divina protecção ante uma vida laboriosa e cumprimentei, de forma afectuosa, tantas mãos calejadas por um trabalho difícil e árduo.

Gosto de dizer que o nosso Povo é Gente com Alma – sentem a presença de Deus na sua vida e invocam, com uma estranha simplicidade, a misericórdia do Senhor sobre a família e sobre o trabalho – não tem vergonha de chorar perante as imagens de um Deus maior, nem temem se descalçar sobre uma terra que é sagrada.

Por tudo isto – e pelo muito mais que as palavras não são capazes de expressar – estou grato por ter contribuído, com uns meros rascunhos, para esta história sublime de 100 anos de Ouvidoria e de caminhada cristã.

Desta Ilha de São Jorge, estendida sobre o Atlântico, envio a todos os Presbíteros e a todos os Irmãos em Cristo Senhor um abraço afectuoso.

*O pe Alexandre Medeiros é pároco em São Jorge