Diácono, aluno do 6º ano do Seminário de Angra, será ordenado a 27 de junho

António Santos, natural das Furnas, tem 24 anos e vai ser ordenado presbítero da diocese de Angra no próximo dia 27 de junho, em São Miguel, juntamente com dois outros colegas de turma.

Este domingo é o convidado do programa de rádio Igreja Açores, que inicia uma série de entrevistas com os três diáconos que serão ordenados pelo bispo de Angra na Igreja de São José, em Ponta Delgada.

“Reservado e tímido”, limitações contra as quais procura lutar diariamente, compensando com o o”sentido de escuta e a disponibilidade para ouvir”, o jovem micaelense que foi ordenado diácono no passado dia 8 de dezembro, lembra que a sua maior vontade é estar inserido numa comunidade paroquial, sem enjeitar os estudos pela História e pela Psicologia, duas áreas de interesse confessado.

“A minha prioridade agora seria estar junto ao povo, essencialmente nas paróquias: foi dela que saí e é para ela que quero voltar” admite, sem saber exatamente o que vai fazer depois do dia 27 de junho.

“Estou feliz e desejoso de sair; vivo a alegria da ordem e quando fui ordenado diácono senti um novo vigor mas com receio de sentir saudades da comunidade” refere lembrando que há sete anos, quando saiu da família, rumo ao Seminário esse foi o seu principal handicap.

“De uma hora para a outra ficamos sozinhos e a solidão pede muitos meses para nos habituarmos a ela” salienta lembrando-se da experiência da saída de casa cujas feridas demoraram tempo a sarar.

“Conhece-te a ti mesmo”, recordando os filósofos gregos, é o lema de António Santos, daqui a pouco padre António Santos.

Na entrevista ao programa de rádio Igreja Açores, que vai para o ar este domingo depois do meio dia na Antena 1 Açores e no Rádio Clube de Angra, o futuro sacerdote quer ser aquele “que procura as pessoas e as ajuda a levantar dos seus problemas. Não é retirar-lhos  mas dizer presente naquele espaço da vida”, salienta.

Por isso, avança, a pastoral que gostava de fazer é a da proximidade.

“A minha pastoral é a presença de Cristo, do Espírito Santo e do Pai. Nós, como seres humanos, somos chamados a fazer e a ser esta comunhão” refere destacando um aspecto que considera crucial e que é a comunicação “clara e direta” .

“Por vezes sinto uma certa resistência em utilizar a linguagem do dia-a-dia; às vezes somos tentados a desenvolver tratados teológicos numa conversa informal; é um risco que eu próprio corro muitas vezes” alerta ao frisar a importância de “saber traduzir a linguagem da fé para os dias atuais”.

“Este é o maior desafio da pastoral e a minha pastoral é mais neste sentido: o de uma comunicação clara, simples, acessível mas que também tenha conteúdo, que vá para além do entretenimento”, frisa.

“O Senhor Jesus disse-nos ide e proclamai o evangelho;  esta é a nossa prioridade. Depois é que vêm os sacramentos do batismo  e por ai fora… esta é a nossa prioridade e, no nosso exame diário de consciência, devemos interrogar-nos: será que hoje consegui levar o evangelho a alguém; será que hoje consegui levar Jesus a alguém?”, interpela.

“Cresci no seio de uma família cristã que reza e se esforça por estar presente nos trabalhos da Igreja. Os meus pais e a minha avó materna sempre me incutiram isso: viver a palavra de Jesus”.

A entrevista do diácono António santos pode ser ouvida aqui no Sítio Igreja Açores e no Rádio Clube de Angra e Antena 1 Açores este domingo.

É a primeira de uma série de três. A segunda será no próximo domingo com o diácono João Silva e, no dia 20, será a vez do diácono Jorge Sousa. Os três alunos do 6º ano do Seminário Episcopal de Angra serão ordenados sacerdotes no dia 27 de junho às 16h00 na Igreja de São José, em Ponta Delgada.