Por Carmo Rodeia

Jovens de diferentes igrejas cristãs realizaram este sábado uma Vigília Ecuménica, na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, e desafiaram as sociedades a “acolher com humanidade” quem “confia a vida” a outra pessoa e decide emigrar ou procurar refúgio.

A Vigília Ecuménica Jovem inseriu-se nas iniciativas que marcam o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos, que decorre entre os dias 18 e 25 de janeiro, e recorda este ano os migrantes e refugiados que são vítimas de naufrágios no Mediterrâneo.

A reflexão proposta para as igrejas cristãs de todo o mundo foi preparada pelas comunidades do arquipélago maltês, a partir do relato bíblico do naufrágio de São Paulo II (século I), que o levou até à ilha de Malta, onde, segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, foi tratado com “invulgar humanidade”.

Hoje muitas pessoas estão a enfrentar terrores semelhantes, nesses mesmos mares. Os lugares mencionados no texto também fazem parte das histórias de migrantes de tempos modernos; as suas vidas também estão expostas a imensas  forças, não apenas naturais, mas também políticas, económicas e humanas. Essa indiferença humana assume várias formas: a indiferença dos que vendem lugares em barcos inadequados para pessoas desesperadas; a indiferença que leva à decisão de não enviar barcos de socorro; a indiferença que faz mandar embora barcos de imigrantes; a indiferença marcada por muros que se erguem para impedir a passagem; a indiferença do egoísmo de quem olha o outro como seu inimigo e como uma ameaça. E nunca mais terminaríamos de mencionar as diferentes manifestações de indiferença que se escrevem nestes tempos em que tudo é descartável.

Ninguém se pode dizer verdadeiramente cristão senão for testemunho vivo da hospitalidade, essa amorosa providência de Deus para todas as pessoas. Quem emigra ou procura refúgio espera que do outro lado haja acolhimento e hospitalidade.

A unidade dos cristãos foi um dos lemas de Jesus. Para que a Igreja tenha futuro é preciso que os jovens saibam disso. Os jovens são mestres na dinamização em prol de causas. Esta é uma causa que vale a pena lutar. Se não houver paz entre religiões não haverá paz na humanidade.

Recordo um grande Secretário Geral da ONU, Dag Hammarskjold, que morreu na sequência de um atentado, quando profeticamente dispôs uma sala despida, só com uns bancos de madeira em redor, uma espécie de altar feito a partir de uma pedra translucida e uma luz que vinha do teto sobre esse altar. Essa sala chamava-se sala de meditação para todas as religiões. Isso aconteceu quando no mundo a grande ameaça era a energia atómica e a miséria. Hoje com o agudizar da tensão entre Estados Unidos e Irão, com vários conflitos regionais onde o perigo do nucelar está sempre presente e, por outro lado, o aumento do fosso entre ricos e pobres, dentro dos próprios países, o nome da paz continua a ser o desenvolvimento como dizia Paulo VI. Mas temos de lhe acrescentar Amor, a maior e mais completa forma de hospitalidade.