Encontro reuniu 45 pessoas e procurou lançar bases para a criação de estruturas de apoio à população migrante na ilha

A realidade da população migrante no Pico e a necessidade de reforçar as respostas de acolhimento e integração estiveram em destaque num encontro promovido, esta segunda-feira, pela Ouvidoria do Pico e pelo Serviço Diocesano da Mobilidade Humana, na Igreja de Santa Maria Madalena.
A iniciativa, orientada pelo psicólogo do Serviço Diocesano da Mobilidade Humana, António Caldeira, reuniu cerca de 45 pessoas ligadas à pastoral social, aos serviços de apoio à integração de migrantes e a outras estruturas que acompanham de perto esta realidade na ilha. O encontro procurou promover a reflexão e a articulação entre os diferentes intervenientes, lançando as sementes para a criação de estruturas de apoio mais organizadas e próximas das comunidades migrantes.
A presença de população estrangeira no Pico tem vindo a assumir uma expressão significativa, sendo a comunidade de origem cabo-verdiana a mais numerosa. Esta realidade coloca novos desafios à comunidade local e às instituições, nomeadamente no que diz respeito ao acolhimento, integração social, acompanhamento e participação dos migrantes na vida da comunidade.
A iniciativa ganha particular significado no contexto da preparação do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que a Igreja Católica celebra no próximo dia 27 de setembro. Para este ano, o Papa Leão XIV escolheu como tema “Mesmo uma só destas crianças”, chamando a atenção para a situação particularmente vulnerável dos menores envolvidos em processos de migração e fuga.
Na mensagem para esta celebração, divulgada em agosto, o Papa alerta que os menores estão entre os mais vulneráveis dos atuais fluxos migratórios, muitas vezes obrigados a deixar as suas terras devido a guerras, pobreza, violência, catástrofes ambientais e outras situações de emergência.
Leão XIV sublinha ainda que cada criança migrante tem um rosto e uma história própria, apelando à consciência e à responsabilidade de todos. Perante esta realidade, o Papa desafia as comunidades cristãs a irem além de uma resposta meramente assistencial, promovendo a integração e valorização dos migrantes e refugiados como membros de pleno direito da comunidade.
“É necessário encorajar as comunidades cristãs à integração e à valorização dos refugiados e migrantes como membros de pleno direito da família eclesial”, afirma o Papa, defendendo novos percursos educativos e espirituais que ultrapassem “a lógica do mero assistencialismo”.
É neste horizonte que se insere o encontro realizado no Pico, procurando aproximar a Igreja das realidades concretas vividas pelas comunidades migrantes e reforçar a cooperação entre as estruturas pastorais, sociais e de apoio à integração.
O desafio passa agora por transformar a reflexão em respostas concretas, capazes de acompanhar uma população migrante que já faz parte da realidade social do Pico e que contribui também para a crescente diversidade cultural da ilha.
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