O cardeal José Tolentino Mendonça disse que a reunião dos cardeais que hoje termina, refletiu sobre a “abertura da Cúria” a “fiéis leigos, homens e mulheres batizados”, “não consagrados” que ajudem no governo da Igreja.

“A questão da abertura da Cúria romana, em alguns dicastérios, à possibilidade de fiéis leigos, homens e mulheres batizados, poderem ajudar no governo da Igreja, em dicastérios onde o múnus sacramental não seja requerido”, confirmou hoje o cardeal português em declarações à Rádio Renascença.

O bibliotecário e arquivista da Santa Sé foi um dos cerca de 200 cardeais, patriarcas e superiores da Secretaria de Estado convocados pelo Papa Francisco para uma reunião de dois dias, com o objetivo de aprofundar a nova constituição para a Cúria Romana, «Praedicate Evangelium».

D. José Tolentino Mendonça deu conta da manifestação de “sinodalidade” presente no encontro, sintoma de uma Igreja que “percebe tem de caminhar toda junta”.

“A mensagem destes tempos, penso que se pode sintetizar em dois pontos. O primeiro é que precisamos de um novo élan, um élan que, antes de tudo, partiu de Cristo, que é o fundamento da identidade da Igreja; um élan que é missionário, a alegria de anunciar o Evangelho, de o pregar por obras e por palavras, onde a Igreja se encontre”, explicou.

O cardeal português sintetizou ainda a “maior comunhão” entre as Igrejas e também na Cúria, “como expressão deste serviço especial em torno ao Sucessor de Pedro”.

“Uma capacidade de recolher carismas, talentos, competências e alargar – quando é possível e quando as competências assim o reclamam – essa possibilidade de governo também a mulheres e homens batizados, não consagrados, não clérigos que possam, de facto, ajudar o Papa na missão de guiar a Igreja universal”, afirmou.

A nova constituição apostólica ‘Praedicate evangelium’ (Pregai o Evangelho) propõe uma Cúria mais atenta à vida da Igreja Católica no mundo e à sociedade, rejeitando uma atenção exclusiva à gestão interna dos assuntos do Vaticano.

D. José Tolentino Mendonça disse que a Constituição apostólica «Predicarae Evangelium» é uma “tentativa de traduzir, também em chave pastoral” e “compreensível” para o tempo atual, o serviço que a Cúria romana desenvolve, não só em Roma, como nas Igrejas locais.

O encontro, que decorreu desde segunda-feira, foi entendido como “um momento muito importante de partilha do colégio cardinalício” e vivido em “ambiente de grande fraternidade, de grande cordialidade e abertura”.

“A fraternidade e a colegialidade não são teorias, não são abstrações. São, de facto, também as relações que se podem criar de fraternidade, de escuta mútua, de conhecimento. Porque cada um traz uma determinada experiência, vem de um determinado lugar, de uma geografia… E esse é o espelho maravilhoso daquilo que é a Igreja católica, a Igreja no mundo que, na sua diversidade – que é uma riqueza muito grande no interior da comunidade cristã – é capaz de construir aquilo que é também um valor sagrado, que é o valor da comunhão e o valor da unidade em torno do anúncio, em torno ao Sucessor de Pedro que nos confirma a todos na fé”, finalizou.

O encontro termina esta tarde com a celebração da Missa na Basílica de São Pedro, às 17h30 (menos uma em Lisboa).

(Com Ecclesia)