Jornadas arrancaram com homenagem a Monsenhor José Nunes

As III Jornadas de Teologia dos Açores, promovidas pelo Seminário Episcopal de Angra entre 20 e 22 de Março, estão a refletir sobre o diálogo entre a Arte e a Teologia, através de um conjunto de intervenções que sublinharão o diálogo entre a cultura, a religião e a fé.

No arranque da iniciativa esta noite, o reitor do Seminário Episcopal afirmou que “arte é uma janela de oportunidades para o anúncio da fé cristã” e consequentemente “para a evangelização, pois a beleza “é a prova experiencial de que a encarnação é possível”, afirmou.

“A arte assume-se sempre como algo de irrepetível e como tal, muitas vezes, também apela, através do sublime, à transcendência e ao divino, mesmo quando nos coloca perante expressões mais estranhas”, disse ainda antes de apresentar o segundo número da Revista Fórum Teológico XXI, a revista cientifica do Seminário, que conjuga as conferências proferidas neste espaço “de “humilde contributo para o diálogo entre a teologia e a sociedade” com uma série de outros artigos de professores ou convidados pelo Seminário.

Já o bispo de Angra, que falou na dupla qualidade de prelado diocesano e de presidente da Comissão Episcopal dos Bens Culturais da Igreja refletiu sobre a Teologia e a arte em diálogo, a partir de três documentos essenciais da Igreja: as constituições apostólicas Sacrosanctum Concilium e Gaudium et Spes e a mensagem do Papa Paulo VI aos Artistas, no final do Concilio Vaticano II , três documentos que constituem uma “síntese do valor que a Igreja atribui à arte, e como ela poderá servir para unir o homem com Deus e, por conseguinte, servir para oferecer a Boa Nova do Evangelho aos homens de cada cultura”, afirmou.

D.João Lavrador sublinhou particularmente a importância do diálogo necessário entre a arte, a religião e o mundo, como sendo essenciais para a elevação da humanidade.

“A verdadeira arte que se une à teologia terá de suscitar o espírito de admiração, de contemplação, de cultivar a relação com Deus e promover o sentido moral e social” afirmou o prelado destacando  a importância de todas as expressões de arte desde a literatura, à música sem esquecer as artes plásticas, a filosofia ou a história, para a construção desse diálogo.

“Na verdade, a arte, em todas as suas expressões, no momento em que se confronta com as grandes interrogações da existência, com os temas fundamentais dos quais deriva o sentido do viver, pode assumir um valor religioso e transformar-se num percurso de profunda reflexão interior e de espiritualidade” referiu citando o Papa Bento XVI.

“A arte é uma linguagem eloquente que revela o ser da pessoa que cria, mas é também a expressão da Fonte inspiradora de toda a obra artística que se manifesta através da beleza, da verdade e do bem” disse ainda D. João Lavrador.

“Ao comunicar-se a si mesmo, enquanto pessoa humana, oferece uma visão renovada de si mesmo, dos seus anseios e das suas angustias, mas também uma maneira de ver o mundo e contribuir para o bem comum” prosseguiu lembrando um conceito do teólogo Karl Ranher de uma visão da Teologia a partir de uma concepção antropológica.

“É a pessoa humana que agraciada pela chispa divina de criador que tem a capacidade de oferecer uma linguagem que, pela beleza, se torna universal” disse, concluindo que a “ Igreja precisa da obra inspiradora dos artistas e os artistas também precisam da Igreja para que a sua capacidade criadora seja reconhecida como diálogo entre Deus e os homens através das linguagens compreensíveis em cada época”.

As III Jornadas de Teologia arrancaram esta noite no Seminário com uma sentida homenagem a Monsenhor José Nunes, que faleceu esta quarta feira. O professor do Seminário Episcopal de Angra, com 84 anos de idade, não resistiu a um AVC.

“É uma personalidade imensa, de uma enorme entrega ao ensino da teologia” referiu o Reitor lembrando que “foi ao longo da sua vida um exemplo de humildade e de santidade”.

As jornadas, que têm entrada livre, no Salão do Seminário, começam sempre às 20h00 e prosseguem hoje com os padres Cipriano Pacheco, que falará sobre “ A estética e mística em São Tomás de Aquino”, e Alexandre Palma, professor na Universidade Católica, sobre “Estética e Teologia. Contexto, fundamentos e desafios”.

Amanhã, Sandra Costa Saldanha, diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais falará sobre “Sanctarum Imaginum’, entre o Homem e o Divino: reflexões sobre algumas diretrizes pastorais na Idade Moderna. Segue-se a conferência de Rui Vieira Nery “Temporalidade e Transcendência na Música Sacra: A Difícil Mediação”.
As jornadas encerram com um momento musical com a Academia de São Tomás de Aquino.