D. Manuel Felício apresentou «desafios da Pastoral Familiar» em Fátima, durante Semana Bíblica Nacional.

O bispo da Guarda disse hoje à Agência ECCLESIA que a sociedade “está a precisar de ser alertada para problemas de fundo que estão a ser esquecidos” sobre a família.

 

“O problema da educação, da natalidade, da coesão, da estabilidade em família. É uma mentalidade dominante que procura equiparar a família, este compromisso estável de homem e mulher na vivência do amor e do serviço à vida, com outras formas de ajuntamento, de relação e até de uniões de facto”, começou por destacar D. Manuel Felício, falando após a conclusão da  XXXVII Semana Bíblica Nacional, em Fátima, na qual falou sobre ‘Os desafios da Pastoral Familiar’.

 

O prelado apresentou com “primeiro grande desafio” da família a compreensão e vivência do Evangelho a partir da “tradição bíblica”.

 

D. Manuel Felício explicou que “é importante que se perceba que as realidades não são iguais”, por isso, a sociedade “precisa de famílias em que homem e mulher completando-se mutuamente no esforço de viver o amor e o serviço à vida vivam intensamente esta estabilidade”.

 

Nesse sentido, o bispo da Guarda considera que “as linhas sociais” em Portugal “não têm em consideração este serviço específico e importante que as famílias devem à sociedade” e alerta que é preciso “continuar a lutar para que esta realidade seja reconhecida”.

 

D. Manuel Felício está convencido que vai haver “um bater de consciência mesmo nas “instituições que governam para que a valorização da família” seja uma prioridade.

 

O entrevistado assinala que a Igreja tem “várias propostas escritas” que podem ajudar a sociedade e as famílias, como a nota pastoral “A força da família em tempo de crise”, da Conferência Episcopal Portuguesa, mas revela que “o problema” é passar da “mensagem à vivência” para que as famílias “vivam com entusiasmo e procurem transmiti-lo” a uma sociedade que nem sempre apresenta as “condições objetivas” necessárias.

 

A organização do trabalho com horários desencontrados, “inclusivamente ao domingo”, é na opinião de D. Manuel Felício “uma pressão terrível para as famílias” que “não têm oportunidade” de se encontrar e de “acompanhar as gerações mais novas”.

 

O prelado compreende que a sociedade civil, como a administração pública, os sindicatos ou as associações de empresários, deve “valorizar o domingo” como um tempo para as famílias onde estas têm oportunidade de ser “a escola dos valores e das virtudes sociais”, num serviço que prestam à própria sociedade.

 

“As escolas não podem ser um campo de treino, têm de ser um espaço para as personalidades se desenvolverem e é isso que temos de pedir à sociedade civil”, desenvolve o bispo da Guarda o que considera ser um “benefício para as famílias” e no futuro para a própria sociedade.

 

O bispo da Guarda explicou ainda que os desafios da família são transversais à sociedade portuguesa mas o Interior “até tem problemas acrescidos”, pelo fenómeno da migração.

 

“As famílias em idade fértil e idade de trabalho não podem viver no interior e têm de se deslocar para os grandes centros, onde têm de existir em primeiro lugar estas preocupações, mas nós também as sentimos como nossas porque as famílias não vivem sempre nos nossos lugares mas vêm lá com grande frequência”, assinalou D. Manuel Felício.