“Denunciar, Formar e Amar” foi lançado esta sexta-feira testemunhando a vida de um homem da igreja dedicado à ajuda ao próximo

“Denunciar – Formar – Amar” é o novo livro da autoria de Monsenhor Weber Machado Pereira, que foi lançado esta sexta-feira, no auditório Luís de Camões em Ponta Delgada.

O livro reúne uma série de textos do sacerdote que foi o rosto da Cáritas de São Miguel por mais de quatro décadas, com a coordenação do jornalista Santos Narciso. O mais antigo texto, agora republicado, remonta a 1971, ainda em pleno Estado Novo e, tal como os restantes traduz o entendimento e a ação do sacerdote na luta pelos direitos dos mais desfavorecidos e excluídos da sociedade.

Na apresentação do livro estiveram presentes também o presidente da Câmara de Ponta Delgada e o diretor do Correio dos Açores, Américo Natalino Viveiros, a quem coube uma palavra mais prolongada de análise da obra.

O responsável pelo Correio dos Açores, amigo pessoal de Monsenhor Weber Machado a quem entregou um programa de luta por uma habitação digna quando era Secretário Regional das Obras Publicas no Governo regional dos Açores, na década de 80, elogiou a ação e a coerência do sacerdote, “um extraordinário combatente pela justiça social, pela liberdade, que pela experiência e saber tem a crédito muitas batalhas”.

“Ao longo da vida foi sempre um homem interventivo inconformado com a sociedade, com as instituições e com a própria igreja que serve, confrontando poderes políticos” lembrou Natalino Viveiros.

“Foi um padre avant garde que ia ao terreno para cuidar da miséria do lado de fora da porta, mas também escrevia para fazer-se ouvir junto de quem decide, ajudava a socorrer os pobres com ações concretas e aceitava a ajuda de quem como ele estava disposto a servir” disse ainda sublinhando que foi e “é o líder de uma cruzada que nem todos compreendem” mas que lhe valeu o epíteto de “Padre dos Pobres”, com um trabalho “incansável”, influenciado pelos ventos do Concilio Vaticano II e sobretudo pela Gaudium et Spes (documento incontornável da Igreja).

“O livro espelha o pensamento e a obra de um padre que percorre caminhos paralelos à igreja para denunciar, formar e amar usando a doutrina do Concilio Vaticano II e que foi desenvolvida pelos papas Paulo VI, João Paulo II e agora pelo Papa Francisco”, acrescentou Américo Natalino Viveiros, destacando que, nesta luta, nem sempre foi acompanhado pela Igreja que servia e     que, paulatinamente, se foi “ritualizando” e “afastando das periferias”.

Por isso, conclui, as temáticas do livro são muito atuais não só porque os problemas da pobreza continuam vivos como os protagonistas não têm sido capazes de dar uma resposta cabal e efetiva para a sua resolução. E deixou críticas à intervenção social da Igreja.

“A igreja só por si sente-se manietada para pôr em prática os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja” e está ferida pela “descristianização galopante da Europa, feita em nome de conceitos sociais e humanos que aplicados estão a criar apatia, desunião e desamor entre pessoas” , sem conseguir lutar contra uma sociedade cheia de “profetas de novos paradigmas” nos quais “os humanos são descartáveis”.

Santos Narciso, coordenador e co-autor do livro lembrou os tempos em que foi aluno de Monsenhor Weber Machado no Seminário de Angra, onde era docente de matemática depois de ter tido um percurso formativo entre Roma- estudou na Pontificia Universidade Gregoriana Teologia- e Coimbra- onde estudou matemática que depois viria a ensinar nos Açores-  e confessou-se “duplamente satisfeito: para além de ser um testemunho da obra do Padre Weber é também uma lição de vida e é desta lição que o mundo hoje carece”.

Já o autor agradeceu os contributos; lembrou alguns exemplos de ação concreta que levou a cabo ao longo da sua vida e deixou uma nota que tantas vezes sublinha: “o que fui escrevendo não passava de um dever”.

O livro “Denunciar, Formar e Amar” conta com o prefácio do Padre António Rego, outro aluno, que sobre o mestre lembra a coerência entre o pensamento e a ação de Monsenhor Weber Machado, escrevendo  que “trabalho tem o mérito de não permitir que as cinzas do esquecimento deixem passar um homem e um sacerdote” que sempre pautou a sua vida pela ajuda ao mais próximo, sobretudo ao mais desfavorecido, tanto na linha do que é hoje a trave mestra do Pontificado do papa Francisco.

Padre, professor, político, interventor social, homem da caridade cristã, Monsenhor Machado Weber é um dos rostos da igreja açoriana mais comprometido com as causas sociais e uma referência para muitos sacerdotes e leigos que integram esta igreja local, tendo pautado a sua vida por esses pilares da Ação Católica meditar, pensar e agir.

Recorde-se que em 2013, o sacerdote apresentou “Flashes, Roteiros e Vivências”.