
O Vaticano detalhou hoje o programa da visita do Papa a Espanha, apontando a paz, o desarmamento e as migrações como eixos centrais de uma deslocação que conta com meio milhão de pessoas inscritas para as celebrações.
“É quase desnecessário dizer que a expectativa é grande para esta peregrinação a uma terra de antiga tradição cristã”, afirmou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, em encontro com os jornalistas.
A deslocação de Leão XIV decorre entre 6 e 12 de junho e prevê um percurso de 2500 quilómetros pelas cidades de Madrid, Barcelona, Las Palmas de Gran Canária e Santa Cruz de Tenerife.
A agenda pontifícia engloba um total de doze discursos, cinco saudações institucionais e cinco homilias.
O porta-voz da Santa Sé sublinhou a urgência de abordar a temática militar perante um momento histórico marcado pela justificação do uso de armamento.
A defesa da vida vulnerável e a reflexão sobre o progresso tecnológico constituem outras prioridades dos 23 encontros previstos.
O roteiro arranca na capital espanhola com reuniões oficiais dirigidas aos Reis de Espanha, às autoridades civis e ao corpo diplomático.
O Papa reúne-se na segunda-feira com o primeiro-ministro espanhol e com os deputados do Parlamento nacional.
A dimensão pastoral inclui, no primeiro dia, uma paragem no projeto ‘Cedia 24 Horas’ para dialogar com cidadãos em situação de sem-abrigo.
O arcebispo de Madrid, cardeal José Cobo Cano, considerou que esta aproximação à estrutura da Cáritas significa que o pontífice entra no país através das “periferias” humanas.
A Eucaristia de domingo na Praça de Cibeles assinala a solenidade do Corpo de Deus, com uma procissão pelas ruas da capital espanhola.
Matteo Bruni elogiou a religiosidade popular ibérica, rejeitando a ideia de uma fé de “museu”.
A etapa na Catalunha, a partir de 9 de junho, contempla a inauguração da torre de Jesus Cristo na Basílica da Sagrada Família, assinalando o centenário da morte do arquiteto Antoni Gaudí.
A nova estrutura dodecagonal atinge 172,5 metros de altura no centro do templo.
A passagem por Barcelona integra também uma visita ao estabelecimento prisional de Brians 1 e a recitação do terço na Abadia de Montserrat.
Leão XIV dedica os últimos dois dias da viagem à emergência migratória na rota atlântica, escutando as populações acolhidas nas Ilhas Canárias, a 11 e 12 de junho.
O programa inclui deslocações ao porto de Arguineguín e ao centro de abrigo de Las Raíces para conhecer de perto o esforço de integração do arquipélago.
A intervenção principal em Las Raíces será proferida em francês para facilitar a comunicação com os estrangeiros oriundos do continente africano.
O gabinete de imprensa assinalou que, de momento, não está agendado qualquer encontro privado entre o Papa e vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero ou em instituições da Igreja Católica.
Esta é a primeira visita de um pontífice ao território espanhol desde a JMJ 2011, em Madrid, presidida por Bento XIV, que esteve ainda em Valência (2006), Santiago de Compostela e Barcelona (2010).
São João Paulo II esteve cinco vezes na Espanha.
(Com Ecclesia)