Congregação fundada em 1931 tem duas comunidades na Diocese de Angra, a onde chegou em 1952

O Convento de São Gonçalo, em Angra do Heroísmo, é demasiado pequeno quando comparado com o esforço das três religiosas que tomam conta das várias estruturas, desde a igreja ao Jardim de Infância sem esquecer o recolhimento que acolhe atualmente 37 mulheres.

São três religiosas da Congregação das Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de jesus, que diariamente, 365 dias no ano, procuram dar-se ao outro seja uma criança, um adulto ou um idoso.

“O nosso apostolado torna-se fecundo na medida em que for sobrenatural. Daí que deve ser sempre um irradiar da vida interior, testemunhada na prática do amor fraterno que nos congrega à volta de Cristo Ressuscitado” diz a Irmã Cecília Santos, cabo Verdiana, a residir há seis anos na comunidade de São Gonçalo, na ilha Terceira, onde é a responsável.

“ É uma orientação clara da nossa Madre Fundadora sobre o apostolado”, precisa esta religiosa de 58 anos que aos dez teve um primeiro contacto com a natureza da missão.

“Estávamos a jantar e o meu pai falou-me pela primeira vez do que era ser religiosa; ser sacerdote e isso despertou-me curiosidade e como via as irmãs nas missões queria ser como elas”, refere lembrando que fez uma primeira tentativa com 14 anos “mas mandaram-me para casa porque era muito nova”.

Entrou para a Congregação aos 17 e nem por um minuto se arrepende.

“Eu optei por dar tudo a Cristo, porque fui chamada por Ele; gosto de partilhar a minha vida com os irmãos, de estar com os outros, por isso sinto-me muito realizada”, diz a Irmã Cecília com uma convicção inabalável e uma doçura própria de quem está ao serviço.

“Tenho pena de não sermos mais para podermos estar mais com as pessoas. Ainda a semana passada uma senhora a quem fui levar a comunhão disse-me: a irmã devia vir cá mais vezes, estar mais tempo… percebo-a; eu própria gostava de o poder fazer mas são tantas as solicitações que acabamos por fazer tudo a correr”, desabafa dizendo que o mal “é a diminuição do número de entradas na congregação” que faz “diminuir o número de religiosas”. É “um sinal dos tempos”, sobretudo na Europa porque em África “felizmente todos os anos temos raparigas a entrar”.

Por falta de vocações, a Congregação teve de encerrar portas em Itália e no Brasil. Atualmente as Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus estão presentes apenas em Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde.

A congregação é de raíz portuguesa, fundada em 25 de março de 1931 por D. Moisés Alves de Pinho e pela Madre Maria da Santissima Trindade.

“Para nós reparar é amar”, repete sempre que pode a Irmã Cecília Santos.

“Vivemos este carisma através da oração e do apostolado”, sendo bem conhecido o trabalho desenvolvido na área da catequese e da educação das crianças, bem como nas obras e nas acções interventivas que visam a promoção humana e social das pessoas mais desfavorecidas.

“O carisma é a reparação… tudo o que fazemos é com o intuito reparador… reparar o coração de Jesus…que estava magoado”, precisa a Irmã Cecília que além de responsável pela comunidade das religiosas é também a pessoa que rege o recolhimento de São Gonçalo, onde residem 37 mulheres.

“Todas têm problemas diferentes. Umas vêm por indicação da segurança social, outras por violência doméstica, abusos de filhos, solidão”, refere lembrando que já acolheram inclusive “jovens que estão a estudar mas que têm dificuldades financeiras”.

É claro que não trabalham sozinhas. Têm 19 colaboradores, entre técnicos e auxiliares, para gerir todo o espaço que também tem uma vertente museológica.

O Edificio de São Gonçalo, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público e está integrado no conjunto arquitetónico do centro histórico de Angra, Cidade Património da Humanidade.

O Convento de São Gonçalo  foi criado por Bula do Papa Paulo III, em 1542, através de um pedido feito por Brás Pires do Canto, patrono deste mosteiro de Clarissas e onde se recolheram as suas duas filhas. Devido ao número crescente de religiosas,  o Convento foi ampliado e a nova igreja inaugurada em 1776. Esta Igreja é um templo característico deste tipo de mosteiros, com coro alto e baixo (em estilo barroco e conventual), separados do templo propriamente dito por um óculo com gradeamento de ferro, rodeado de talha dourada em cedro-do-mato, de origem local. O interior da Igreja é todo revestido de talha dourada setecentista e pinturas a óleo sobre tela do inicio do séc. XVIII, sem esquecer o teto também ele decorado.

“Nós é que fazemos de guias deste espaço. É mais um serviço que prestamos” diz a Irmã Cecília que juntamente com as Irmãs Aldina e Vanessa, asseguram a presença das religiosas reparadoras na ilha Terceira.

“Esta é a nossa vida: sermos, como dizia o nosso fundador, como lâmpadas acesas diante do Sacrário” remata a Irmã Cecília Santos.