Por Renato Moura

Faleceu Victor Oliveira, filho de família modesta, nascido em Matosinhos há apenas 67 anos. Jogou futebol durante anos em várias equipas denominadas pequenas. Foi treinador de futebol: quatro décadas, duas dezenas de clubes. Seis vezes treinador vencedor do campeonato da II Divisão. Onze promoções de equipas da II à I Divisão; seis subidas em sete anos! Considerado o Rei das Subidas de Divisão.

Conquistas em equipas com fracos recursos e jogadores menos valorizados credenciaram-no para poder treinar Benfica, Sporting ou Porto. Imperou a sobriedade.

Perguntar-me-ão a razão de referências ao futebol neste espaço. Resposta simples: este é um sítio para defender e referenciar princípios e valores humanos; e eles devem existir e ser distinguidos, seja qual a actividade onde se esperam e são notados. Ser cristão é, antes do mais, ser Homem.

Importa realçar que Victor Oliveira exerceu a profissão por Portugal fora e os triunfos nunca lhe toldaram a modéstia trazida da família e serenamente conservada.

Quando entrevistado pela comunicação social sempre usou de sinceridade modelar, olhando a prestação da sua equipa com rigor. Nunca se mostrou presumido ou vaidoso atribuindo às suas formações méritos excessivos. Sempre teve a honestidade de reconhecer quando jogavam mal, ganhavam sem mérito ou fruto de erros de arbitragem! Um contraste absoluto com os treinadores imaginados como importantes, quase sempre incapazes de reconhecer erros próprios, useiros e vezeiros a inventar desculpas para os insucessos, seja nas arbitragens, nas condições do terreno, no elevado número de jogos, nas viagens dos jogadores, na falta de tempo de recuperação, etc.

Sempre respondeu às questões dos jornalistas com simplicidade, com serenidade. Cuidava de ser comedido na linguagem e respeitador do trabalho dos outros. A contrastar com treinadores dos «grandes», incapazes de disfarçar o incómodo por perguntas dos profissionais da comunicação social, nem lhes respondendo, ou com jactância os tentando humilhar e ofender deliberadamente, de forma soez!

Victor Oliveira cultivou a modéstia, foi um grande Homem. Subiu ao patamar da honra sem se exaltar. Vida curta, mas suficiente para o merecido reconhecimento nos locais onde passou; e agora justamente homenageado. Ao contrário do que com outros acontece, também na sua terra, com a gravação no Estádio do Mar do seu semblante e a legenda: «Um legado de orgulho, pelo clube e pela terra».

Não morreu: fica o seu nome nos troféus de melhores treinadores; perdurará o seu exemplo.