Quanto vale o dinheiro e de que forma nos pode fazer felizes? A pergunta vem a propósito da Semana Europeia do Dinheiro que se comemora entre 9 e 13 de março e tem como objetivo central promover “níveis de literacia financeira” junto dos mais novos, o que trocado por miúdos, significa educa-los para a importância do dinheiro. De onde vem, quanto custa, a importância da poupança e do investimento, são algumas das questões colocadas aos jovens pelos promotores da iniciativa, ao nível da União Europeia, envolvendo 21 países. Foi mesmo lançado um concurso- “o valor do dinheiro, a minha nota de euro” e no spot promocional falam crianças de várias idades e proveniências. Muitas delas são italianas, e falam da responsabilidade de ter dinheiro.

Esta semana, no dia 13, completam-se dois anos de Pontificado do Papa Francisco que não se tem cansado de denunciar “a idolatria do dinheiro” e a “miséria moral” que é as pessoas converterem-se a ele. Aliás, desde que escreveu a exortação apostólica “A Alegria do Evangelho” o Papa tem criticado o facto de, nas sociedades de hoje, “a cultura do bem estar ter sobreposto o dinheiro ao ser humano”, criando um novo bezerro de ouro cuja “versão é o fetichismo do dinheiro e a ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano”.

Por isso, ensinar às crianças o valor do dinheiro é importante. E apesar do Vaticano não fazer parte desta iniciativa europeia, poderia dizer que ela até se insere no espirito deste pontificado.

Francisco deixou que uma criança de seis anos ocupasse a Sede Apostólica, que um bébé lhe tirasse o solidéu e ele próprio já o colocou na cabeça de uma menina, sob o olhar critico de alguns sectores mais conservadores. Há dois mil anos, os Apóstolos aborreciam-se ao verem as crianças seduzidas por Jesus e procuravam afastá-las. O Papa sabe o que é despertar as crianças, falando-lhes de outras crianças. Das 120 milhões pobres em todo o mundo, que certamente não precisarão que lhes ensinem o valor do dinheiro, simplesmente porque não o têm.

Este tem sido um dos lemas do Pontificado de Francisco. Dois anos depois falar dele é referir um desafio constante a uma igreja que sabe acolher, que se deixa interrogar, que tem a inteligência do coração e luta pela justiça social. Nove meses depois de ter sido eleito foi escolhido como a figura do ano pela insuspeita revista Time. Não foi por acaso. Francisco soube colocar-se e colocar a igreja no centro das discussões essenciais da nossa época: a riqueza e a pobreza; a equidade e a justiça; a transparência; a modernidade, a globalização; a natureza do casamento ou as tentações do poder. A escolha do nome Francisco, como o de Assis, encerra em si mesmo um programa, cujo sucesso não estava e não está ainda garantido.

Na parábola, a mulher varreu a casa à procura da dracma; Francisco sabia que também tinha de “varrer a casa” e até mudar a disposição de algumas peças. Começou por ele próprio, de modo rápido e simples. Logo na primeira saudação na janela do Vaticano e nunca mais parou de falar em coisas sérias, de forma simples, sem certezas, mas com valores. Como falamos às crianças…