Por Carmo Rodeia

O Papa Francisco tem uma conta no Twitter, com o nome «@Pontifex», onde é seguido por mais de 17 milhões de pessoas, e no Instagram com o perfil «@Franciscus», contando com mais de cinco milhões de seguidores nesta rede social.

A rede tem sido uma das grandes prioridades de Francisco, não para se mostrar mas para se encontrar com o mundo, fazendo-se próximo dos que por lá andam, que são cada vez mais e mais jovens, na sua maioria afastados da Igreja.

O tema das redes sociais tem sido, de resto, recorrente nas várias mensagens pontifícias para o Dia Mundial das Comunicações Sociais que este ano se assinala no dia 2 de junho. E a Mensagem deste ano volta a não fugir ao assunto:  “‘Somos membros uns dos outros’ (Ef 4,25). Das ‘community’ às comunidades”, propondo uma “reflexão sobre a atualidade e a natureza das relações na Internet”.

Com a escolha do tema, Francisco pretende analisar a ideia de “comunidade enquanto rede”, mas entendida a partir da “inteireza” das pessoas.

“Algumas tendências dominantes nas redes sociais suscitam uma pergunta fundamental: até que ponto se pode falar de verdadeira comunidade a partir das características que hoje têm algumas comunidades nas redes sociais?”, interpela na Mensagem para o 53º Dia das Comunicações Sociais.

“A metáfora da rede como comunidade solidária implica a construção de um «nós», fundado na escuta do outro, no diálogo e, consequentemente, no uso responsável da linguagem”, destacando a Internet como “um lugar cheio de humanidade, não uma teia de fios mas de pessoas humanas”.

Este Papa, como nenhum outro, tem sido uma constante surpresa no domínio da comunicação, como alavanca para a aproximação, a coesão e a integração, isto é, pressupostos de acolhimento e não de afastamento.

Os seus gestos, as suas atitudes e, sobretudo, as suas posições públicas em relação a todos os assuntos, até os mais fraturantes, apontam sempre para uma atitude pastoral de acolhimento. Mesmo com aqueles que com ele brincam como os dois grafiters que ironizaram o comportamento e as atitudes do Papa nalguns muros de Roma e de que destaco dois desenhos: um pela originalidade e outro pela mensagem.

A semana passada apareceu um muro pintado no Vicolo degli Osti, no centro de Roma, retratando o Papa Francisco com uma criança sobre os seus ombros que escreve com um spray stop abuse! (Parem os abusos!).

Aliás, não foi esta a primeira vez que o artista dedicou a sua arte urbana à figura do Papa Francisco. Bem perto da nova pintura, na Piazza del Fico, já estava um “Super-Franciscus” que retratava o Papa abrindo a sua habitual batina branca e envergando um fato de Super-Homem. Este grafiti chegou mesmo a ser publicado na conta do Twitter da Secretaria de Estado para as Comunicações Sociais do Vaticano. Na imagem, o Papa aparece vestido de branco, voando no estilo do super-herói e leva na mão uma mala de couro com a inscrição “Valores”.

Francisco tem pautado o seu pontificado pela transparência, pela generosidade, pela presença participativa, pela proximidade, pela coerência, pela objetividade, pela motivação, pela referência, pela inspiração, pela confiança e, sobretudo por uma questão absolutamente decisiva que é a postura de serviço, numa atitude de desapego das vaidades humanas. Por isso, soam a injustiça as críticas ao Papa na passada semana quando se esquivou ao beija-mão que alguns fieis lhe dirigiram. Se calhar se tivessem ensaiado um abraço, ele não se faria rogado…