As estratégias para ajudar a família a fazer os vários lutos provocados por uma doença prolongada deram mote à intervenção

Cerca de centena e meia de capelães e profissionais da área da saúde participam hoje e amanhã no encontro nacional sobre boas práticas em cuidados paliativos que decorre em Fátima.

Um dos oradores desta formação permanente anual foi o Pe. Paulo Borges, capelão do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada e diretor da Comissão Diocesana da Pastoral da Saúde na diocese de Angra.

A partir da noção de família e da forma como se pode acompanhar esta estrutrura social no momento do luto, o sacerdote lembrou que quando um doente está hospitalizado por doença, qualquer que ela seja, toda a família fica doente, ainda mais se tivermos em conta a existência de uma doença prolongada dentro de um quadro de cuidados paliativos.

“Embora hoje seja difícil dizer exatamente quem compõe a família, a verdade é que quando o doente está doente, toda a estrutura familiar fica doente” referiu o sacerdote em declarações ao Igreja Açores.

Assim, defende, “há que fazer o acompanhamento da família” porque “todas as estratégias espirituais que sejam trabalhadas serão importantes para ajudar essa família a fazer os vários lutos que enfrenta”.

“A espiritualidade quando trabalhada no seu todo ajuda a pessoa a refazer a sua vida” acrescenta.

“É necessário fazer a experiência do silêncio da oração para entrar no mistério de Deus” e isso “tem que ser acompanhado e trabalhado de forma séria” esclarece ainda.

O sacerdote integra a equipa multidisciplinar, composta por 15 profissionais de áreas diversas- médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e funcionários- que apoiam a única unidade de saúde de cuidados paliativos do Açores. Composta por 10 camas esta unidade está situada no Hospital do Divino Espirito Santo . Além do internamento a equipa apoia doentes de outras unidades com doentes crónicos ou prolongados e ainda faz apoio domiciliário.

Além do Pe. Paulo Borges estão ainda duas voluntárias e uma enfermeira do Hospital do Divino Espirito Santo bem como o segundo capelão desta Unidade de Saúde, o Pe. Hélder Cosme.