Por Carmo Rodeia

Abu Al-Faruq, 15 anos. Poderá ser mais um dos jihadistas luso-descendentes mortos em combate, na Síria, ao serviço do auto proclamado Estado Islâmico. O jovem tem nacionalidade luso-argelina e deixou Portugal em Junho do ano passado.

A confirmar-se a notícia, esta será a quinta morte de cidadãos com nacionalidade portuguesa anunciada pelos terroristas. Franceses, ingleses, holandeses, pouco importa a origem dos cerca de 20 mil recrutados.

A pergunta que se impõe é o que leva um jovem europeu a juntar-se a um grupo de combatentes islâmicos radicais, que não hesita em usar a violência saída dos tempos mais negros da história da humanidade, como decapitações e crucificações, supostamente em nome de uma religião?

Dificuldade em encontrar a sua identidade, a frustração social, a insatisfação por se sentirem nas margens de um sistema que é seu mas com o qual não se identificam, ou a “simples” promessa de poderem viver uma vida de herói? As causas são várias mas há uma que é determinante: o êxito da cyberjihad e das redes sociais.

Alvos prioritários da propaganda terrorista, os jovens radicalizam-se através da internet com vídeos de propaganda e acedem on line à violenta mas sedutora “literatura” jihadista, que nunca esteve tão acessível.

Entre morrer como mártir ou tornar-se uma espécie de super heroi que salva o mundo há pouca diferença. A promessa é simples e simultaneamente sedutora. Fabricar pessoas sem limites, como num qualquer video game do género “Call of duty” que valoriza o combate pelo combate.

Bem podemos acrescentar que o que temos hoje na Síria ou no Iraque é consequência da forma completamente inconsciente com que nas últimas duas dezenas de anos os governos europeus e americanos lidaram com aquela zona do globo. Apoiaram-se ditadores, retiraram-se ditadores, mas a única coisa que se fez, verdadeiramente, foi lançar o caos naquela zona.

Agora a Europa está em choque, mas é preciso notar que a juventude ocidental ocupa há já largas décadas, grande parte do seu tempo a desenvolver um profundo ódio pelo mundo onde nasceu e que, até prova em contrário, é o que de mais tolerante e civilizado a humanidade já produziu.

Muitos levaram esse ódio tão longe que integraram estruturas terroristas que fizeram milhares de vítimas. É certo que não decapitavam nem degolavam. Mas matavam na mesma, ainda que com tiros, e o entusiasmo com que o faziam era idêntico ao do jovem norte-americano que na internet defendeu a sharia islâmica…

A grande e essencial diferença é que hoje mata-se e na hora estabelece-se contacto com o carrasco, através do facebook. Uma ferramenta que é produto do avanço tecnológico da sociedade que os jihadistas combatem. Quando é que acabamos com isto? Se calhar falharíamos menos e meio milhão de cristãos do médio oriente não teriam de ser submetidos a um exilio forçado só porque acreditam num Deus diferente.