Presidente diz que as dificuldades “no terreno” são cada vez maiores

O Presidente da Fundação Pia Diocesana Obra de Socorro de Nossa Senhora das Mercês, criada canonicamente em 1975, alerta para as dificuldades que muitas famílias de Rabo de Peixe e das Calhetas, na ouvidoria da Ribeira Grande, estão a passar na sequência da pandemia.
“As cercas sanitárias têm criado dificuldades” refere António Pedro Costa que não desvaloriza a intenção e a necessidades das medidas sanitárias, “para proteger a saúde de todos”, mas lembra que elas têm dificultado a vida das pessoas.
Esta obra social iniciada na década de 50 pelo casal António Frazão e Leonor Silveira procura apoiar no terreno famílias e pessoas carenciadas desta zona geográfica, desempenhando um “papel determinante” na Costa norte de São Miguel. Conta para o efeito com a ajuda das Irmãs da Caridade, religiosas ligadas à obra da Madre Teresa de Calcutá, que devido a este contexto pandémico têm sido impedidas de realizar o trabalho no terreno. Para o presidente da Fundação esta é uma “dificuldade acrescida” que se soma ao aumento das carências de famílias mais vulneráveis.
“As fragilidades económicas e a precariedade é grande. Ajudamos e procuramos garantir a autonomia das pessoas e quando isso acontece, o que nos deixa felizes, já temos outros casos sinalizados”, refere António Pedro Costa numa entrevista ao programa de Rádio Igreja Açores deste domingo.
“É preciso estar no terreno para compreender: a situação é muito complicada. As irmãs da Caridade não têm podido vir e, por isso, há dificuldades acrescidas. Nós estamos disponíveis para continuar a ajudar as pessoas, mas o trabalho destas irmãs é fundamental porque elas têm uma sensibilidade muito apurada sobre onde há verdadeiras necessidades”, acrescenta.
Por isso, sublinha que a decisão da renúncia quaresmal ser entregue à Cáritas Diocesana e aos serviços da Pastoral da Saúde, “foi acertada” e, se houver uma parte dessa verba destuinada a Rabo de Peixe, “seria bom “ porque “existe muita gente infectada e era um sinal por parte da diocese que acompanha, com preocupação, o que aqui se passa. Há muita gente que precisa” conclui António Pedro Costa.
A Fundação Pia Diocesana, intimamente associada às Irmãs Clarissas foi criada pelo bispo de Angra D. Aurélio Granada Escudeiro e, depois de um período de “esmorecimento” há mais de uma década foi restaurada e tem procurado prosseguir o trabalho de promoção e desenvolvimento social nesta zona da ilha de São Miguel.
Gere a herança patrimonial deixada pelo casal de benfeitores em testamento, mas gere, sobretudo “o espirito” deste trabalho, procurando “elevar” a vida de pessoas mais vulneráveis, refere ainda o seu presidente.
Atualmente, a Fundação procura ajudar a regularizar a situação matricial de muitos prédios e vive das rendas dos terrenos geridos pela fundação bem como pelos juros da carteira de títulos “que cada vez é menor”, alerta António Pedro Costa.
“A crise económica também nos afetou sobretudo porque os bancos dão menos dinheiro e isso representa grandes perdas o que implica naturalmente dificuldades” refere.
“Nós não podemos desbaratar aquilo que é o património que foi transferido para esta fundação. É nossa obrigação manter o património e gerir no apoio social os excedentes que decorrem desse património”, conclui lembrando que o momento de dificuldades que a região atravessa obriga também a definir prioridades de investimentos. Na prática fica comprometida a recuperação imediata do edifício principal da Fundação, a Casa Amarela, cujas obras de recuperação estavam projectadas.