Papa alerta para “sofrimentos indescritíveis” de menores migrantes e apela à responsabilidade global

Foto: Lusa/EPA

O Papa apelou hoje à proteção dos menores migrantes e refugiados, projetando a celebração do 112.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que se celebra no próximo domingo.

“As crianças e os adolescentes são os mais vulneráveis”, alertou Leão XIV, no final da audiência pública semanal, na Praça de São Pedro.

Perante milhares de pessoas reunidas no Vaticano, o pontífice pediu o compromisso de todos na defesa destes menores “obrigados abandonar a sua terra.”

“Muitas vezes, vivem sofrimentos indescritíveis, violência, tortura, exploração, condições traumáticas e, não raro, perdem a vida ao longo das rotas migratórias”, alertou.

“Apelo à responsabilidade de todos. Que cada um se sinta envolvido na vida destes jovens, que devem ser sempre protegidos e assistidos”, disse. 

Na sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2026, com o título ‘Mesmo uma só destas crianças’, lançada em agosto, o Papa alertava para os crimes que atingem os menores, como o tráfico humano, o recrutamento para conflitos armados e a violência sexual.

Leão XIV adverte que não se devem fazer cálculos perante o sofrimento, sustentando que “cada criança, cada ser humano possui uma dignidade infinita”.

A mensagem exige às instituições públicas e privadas uma “mudança de perspetiva”, defendendo que o eixo do debate político passe da “mera gestão dos fluxos” para a “tutela plena e imediata dos direitos humanos”.

O Papa apela à adoção de “instrumentos jurídicos eficazes” que garantam o reagrupamento familiar e evitem os traumas da separação, sublinhando a urgência de se reafirmar “o princípio do interesse superior do menor”.

Dirigindo-se às estruturas da Igreja Católica, Leão XIV observa que o acolhimento deve ser mais do que “um conceito abstrato”, devendo assumir-se como “uma prática pastoral constante” de todas as comunidades, de forma a prevenir o isolamento dos refugiados e promover a sua integração.

O documento apela ainda à cooperação inter-religiosa, instando as diversas confissões a trabalharem em conjunto na construção de redes de proteção onde cada menor seja respeitado e valorizado, para evitar “o risco de radicalização por parte de grupos extremistas”.

(Com Ecclesia)

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