Francisco defende direito ao desenvolvimento de todas as pessoas e pede combate à «pobreza extrema»

O Papa associou-se hoje no Vaticano ao Dia Mundial para a Erradicação da Miséria, que se celebra a 17 de outubro, e defendeu os direitos “fundamentais” de todos os seres humanos.

“Este dia propõe-se aumentar os esforços para eliminar a pobreza extrema e a discriminação, assegurando que cada um possa exercitar plenamente os seus direitos fundamentais”, disse Francisco, durante a audiência pública que decorreu na Praça de São Pedro, perante cerca de 30 mil pessoas.

“Estamos todos convidados a tornar nossa esta intenção, para que a caridade de Cristo chegue e alivie os irmãos e irmãs mais pobres e abandonados”, acrescentou.

Para assinalar esta data, a EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza está a organizar a campanha nacional ‘A pobreza não…’, que pretende sensibilizar para “as múltiplas questões da pobreza”.

Ainda hoje, o Papa enviou uma mensagem aos participantes no III Fórum Mundial do Desenvolvimento Económico Local, que decorre em Turim, considerando “urgente e indispensável” a concretização da ‘Agenda 2030’, da ONU.

“A medida e o indicador mais simples e adequado para o cumprimento da nova agenda para o desenvolvimento será o acesso efetivo, prático e imediato, para todos, aos bens materiais e espirituais indispensáveis”, precisou.

Entre esses bens estão a habitação, o trabalho digno, a alimentação, a água potável, a liberdade religiosa e a “liberdade de espírito e de educação.

Segundo o Papa, a única forma de atingir estes objetivos é “trabalhar a nível local”.

“As recorrentes crises mundiais demonstraram que as decisões económicas que procuram promover o progresso de todos através da criação de novos consumos e do aumento permanente do lucro são insustentáveis para o próprio andamento da economia global”, alertou.

Nesse sentido, falou mesmo de decisões “imorais” que deixam de fora das preocupações económicas a questão do que é “correto” e do “bem comum”.

Francisco apela por isso à criação de economias e empresas “livres” da ideologia, de “manipulações” políticas e da lei do “lucro a todo o custo”, para que possam estar “verdadeiramente ao serviço de todos e reintegrem os excluídos na vida social”.

Na habitual catequese das quartas feiras, na Praça de São pedro, durante a audiência geral, Papa Francisco pediu, também “perdão” pelos escândalos da Igreja, em particular os que recentemente aconteceram no Vaticano, sem se referir diretamente a casos específicos.

“Gostaria, antes de iniciar a catequese, de pedir-vos perdão em nome da Igreja pelos escândalos que nos últimos tempos aconteceram, tanto em Roma como no Vaticano. Peço-vos perdão”, disse o Papa, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, na audiência pública semanal.

Francisco observou que a confiança “espontânea” que as crianças têm em Deus nunca deve ser “ferida”.

“O terno e misterioso laço de Deus com a alma das crianças nunca deveria ser violado”, insistiu.

O Papa começou a sua catequese a partir do alerta de Jesus contra os escândalos, relatado pelos Evangelhos.

 

“Jesus é realista e diz: é inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai do homem por causa do qual acontece o escândalo”, advertiu.

A reflexão abordou as “promessas” de amor e de cuidado que os pais e educadores fazem às crianças, um compromisso sério que Francisco convidou a cumprir com determinação.

Diante de cerca de 30 mil pessoas, entre eles os mineiros chilenos que sobreviveram ao acidente na mina São José em 2010, o Papa convidou os presentes a questionar-se sobre até que ponto são ” leais às promessas que fazem às crianças”.

“Acolhimento e cuidado, proximidade e atenção, confiança e esperança são promessas fundamentais, que convergem numa só: amor”, acrescentou.

Ao recordar que as crianças esperam a confirmação dessa promessa, Francisco alertou que “quando acontece o contrário, as crianças são feridas por um ‘escândalo’ insuportável, ainda mais grave, dado que não têm os meios para decifrá-lo”.

“Apenas se olharmos as crianças com os olhos de Jesus, poderemos realmente entender como, ao defender a família, protegemos a humanidade”, defendeu o Papa.

A intervenção deixou um cumprimento especial aos 33 mineiros chilenos que estiveram debaixo de terra durante 70 dias.

“Penso que qualquer um de vós seria capaz de vir aqui e dizer-nos o que significa a esperança. Obrigado por terdes esperança em Deus”, declarou.

Francisco saudou depois os peregrinos lusófonos, pedindo que todos acompanhem com a oração o Sínodo dos Bispos que decorre no Vaticano.

CR/Ecclesia