Quénia, Uganda e República Centro-Africana foram etapas de visita acompanhada por multidões em festa

O Papa concluiu hoje na República Centro-Africana (RCA) a sua primeira viagem a África, com mensagens e gestos pela paz e o perdão particularmente significativos neste país, marcado pelas guerras e conflitos inter-religiosos.

Numa visita que se iniciou há seis dias, no Quénia, Francisco fez história este domingo ao abrir, pela primeira vez, a porta santa de um Jubileu fora de Roma.

O Ano Santo da Misericórdia começou assim a ser vivido na RCA, um território marcado pela violência, para travar a “espiral” da vingança e do ódio, segundo o Papa.

“Bangui torna-se a capital espiritual da oração pela misericórdia do Pai”, explicou, à porta da Catedral da cidade.

Pouco depois de chegar à capital da RCA, Francisco tinha mergulhado no entusiasmo das crianças e das centenas de pessoas que estavam à sua espera, algumas ainda incrédulas, no campo de refugiados da paróquia de São Salvador.

“Desejo para vós e para todos os centro-africanos a paz, uma grande paz entre vós. Que possais viver em paz, qualquer que seja a etnia, cultura, religião, estatuto social. Mas todos em paz! Todos, porque todos somos irmãos”, sublinhou, numa mensagem que viria a repetir hoje na mesquita central de Bangui.

“Juntos, digamos não ao ódio, à vingança, à violência, especialmente aquela que é perpetrada em nome duma religião ou de Deus. Deus é paz, salam”, apelou.

Francisco partira esta sexta-feira do Uganda, onde centrou as suas intervenções na herança deixada pelos mártires católicos e anglicanos que foram perseguidos e mortos em finais do século XIX, bem como no compromisso social junto dos mais desfavorecidos que deriva da vivência da fé.

“A minha visita visa ainda chamar a atenção para a África no seu conjunto, para a promessa que representa, as suas esperanças, as suas lutas e as suas conquistas”, disse no palácio presidencial.

Antes, no Quénia, deixou mensagens contra o terrorismo, a exploração dos mais pobres e em defesa do meio ambiente.

Num país que tem sido alvo de vários ataques terroristas nos últimos anos, Francisco defendeu a “tolerância e o respeito pelos outros”, em particular no diálogo entre religiões.

 

A 21.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas que começou hoje em Paris não foi esquecida e o Papa sustentou que um eventual fracasso na COP21 seria “catastrófico” para a humanidade.

A visita de Francisco a África, 11ª viagem internacional do pontificado, levou-o a percorrer 11 727 quilómetros em mais de 17 horas de voo.

Centenas de milhares de pessoas acompanharam os vários momentos da visita, em clima de festa, junto do Papa que se deslocou maioritariamente em veículo aberto, apesar das preocupações de segurança que se levantavam.

O regresso a Roma está previsto para as 18h45 (17h45 em Lisboa) desta tarde.

CR/Ecclesia