O Papa afirmou hoje que “é fundamental mudar a maneira” como se vê e conta “a migração”, colocando “pessoas, rostos e histórias no centro”, numa audiência aos participantes do projeto europeu ‘Vozes e experiências das fronteiras’.

“Trata-se de colocar pessoas, rostos e histórias no centro. Portanto, é importante projetos, como o que vocês promovem, que propõem diferentes abordagens, inspiradas na cultura do encontro, que são o caminho para um novo humanismo”, disse na Sala Clementina, no Vaticano.

O Papa acrescentou que “novo humanismo” não se refere “apenas como filosofia de vida, mas também como espiritualidade e estilo de comportamento”.

Na audiência ao grupo acompanhado pelo autarca de Lampedusa e Linosa, região italiana da Sicília, Francisco explicou que os habitantes das cidades e territórios fronteiriços, as sociedades, as comunidades e as Igrejas, “são chamados a ser os primeiros atores” dessa mudança, “através das contínuas oportunidades de encontro que a história lhes oferece”.

“As fronteiras, que sempre foram consideradas barreiras de divisão, podem se tornar ‘janelas’, espaços de conhecimento mútuo, de enriquecimento recíproco, de comunhão na diversidade. Lugares onde os modelos são experimentados para superar as dificuldades que os recém-chegados representam para as comunidades autóctones”.

O projeto ‘Snapshots from the Borders’ (nome em inglês) pretende informar os cidadãos europeus sobre a realidade que rodeia a migração hoje com “vozes e soluções eficazes de fronteiras”; Nos últimos três anos a organização tem vindo a sensibilizar, partilhar conhecimento, encorajar a participação e mostrar aos cidadãos que têm um papel importante a desempenhar, e é gerido por 35 parceiros, autoridades locais fronteiriças e organizações da sociedade civil.

Para Francisco, o projeto ‘Vozes e experiências das fronteiras’ promove uma “compreensão mais profunda da migração”, permitindo às sociedades europeias “dar uma resposta mais humana e coordenada aos desafios da migração contemporânea”.

O Papa assinalou que “as interdependências globais” que determinam os fluxos migratórios “devem ser estudadas e melhor compreendidas”, porque “os desafios são muitos e interpelam a todos” e “ninguém pode ficar indiferente” às tragédias humanas que continuam a acontecer em diferentes regiões do mundo, como as que acontecem no Mediterrâneo, “um mar de fronteira, mas também de encontro de culturas”.

“O acolhimento e uma integração digna são etapas de um processo que não é fácil. No entanto, é impensável enfrentá-lo levantando muros”, salientou.

Francisco recordou que o encontro com os bispos do Mediterrâneo em Bari, a 23 de fevereiro passado, em Bari, foi “muito positivo” e afirmou que entre os que “mais lutam” na região do Mediterrâneo “estão os que fogem da guerra ou deixam suas terras à procura de uma vida digna do ser humano”.

Neste contexto, referiu que estão “conscientes” que, em diferentes contextos sociais, “há um sentimento generalizado de indiferença e até de rejeição” e a Comunidade Internacional detém-se em “intervenções militares, mas deveria construir instituições que garantam a igualdade de oportunidades” e lugares onde os cidadãos tenham a possibilidade de assumir o bem comum.

“Nunca aceitamos que aqueles que procuram esperança pelo mar morram sem receber socorro”, afirmou o Papa Francisco, divulga o sítio online ‘Vatican News’.

A Igreja Católica vai assinalar o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado este ano com o tema ‘Forçados, como Jesus Cristo, a fugir’, no dia 27 de setembro.

(Com Ecclesia)