Papa pede solidariedade para vítimas de enxurrada

Leão XIV convida ainda à oração pela paz e a justiça

Foto: Lusa

O Papa apelou hoje à solidariedade com as vítimas da enxurrada da última quarta-feira que afetou o Tibete e o Nepal.

“Rezemos por quem perdeu a vida, pelos feridos e desaparecidos, pelas famílias, pelos socorristas. Que a solicitude de todos contribua para aliviar os sofrimentos e para fazer chegar os apoios necessários à população”, pediu Leão XIV, após a recitação do ângelus, desde a Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo.

A intervenção começou com uma oração por todas as pessoas afetadas pela “terrível inundação que se verificou no Nepal e no Tibete”.

Pelo menos 750 pessoas morreram e mais de 3 mil continuam desaparecidas dos dois lados da fronteira que separa o Tibete do Nepal, segundo um novo balanço nepalês divulgado hoje.

A emissora estatal da China informou, por sua vez, que pelo menos 16 pessoas morreram na região do Tibete, onde 546 estão ainda desaparecidas, incluindo 261 estrangeiros.

Perante peregrinos de várias partes do mundo, o Papa convidou a rezar pela paz.

“Santo Agostinho, cuja memória celebrámos nestes dias, dizia que a paz é semelhante ao pão do milagre que crescia nas mãos dos discípulos enquanto o partiam e o distribuíam”, referiu.

Leão XIV pediu que “aumentem no mundo aqueles que, com coragem, partem e distribuem o pão da paz, superando as divisões, promovendo a justiça, praticando o perdão para o bem de todos”, depois de ter enviado ajuda financeira à Cáritas do Nepal através do Dicastério para o Serviço da Caridade, para ajudar nas “necessidades primárias da população”.

“Trata-se de uma primeira ajuda que o Santo Padre, como noutras ocasiões, quis enviar para atender às necessidades primárias da população”, afirmou o prefeito do Dicastério para o Serviço da Caridade, o arcebispo Luis Marín de San Martín, cidado pelo portal de notícias do Vaticano.

D. Luís Martín acrescenta que “é um sinal rápido e concreto para transmitir, sobretudo aos mais vulneráveis, a proximidade e a ternura do Santo Padre, como uma presença da Igreja que os acompanha e sustenta”.

Papa apela à confiança em Deus em momentos de incerteza pessoal

A partir da liturgia deste domingo, Leão XIV  apelou à aceitação humilde dos “caminhos de Deus”, mesmo quando contrariam as expetativas humanas, alertando para a tentação de julgar a ação divina nos momentos de incerteza.

“Também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos”, reconheceu Leão XIV, durante a recitação dominical do ângelus na Praça da Liberdade em Castel Gandolfo.

“Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós”, acrescentou, perante centenas de pessoas reunidas junto à residência pontifícia, nos arredores de Roma.

O Papa sustentou que a superação destas crises espirituais obriga o crente a “nunca interromper, nem mesmo nestes momentos, o diálogo com o Senhor”, sempre com total “confiança”.

Leão XIV realçou ainda a importância de “nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele está a revelar”.

A reflexão baseou-se no episódio evangélico em que Jesus anuncia a sua morte, uma perspetiva que provocou a indignação do apóstolo Pedro por estar “muito longe das expectativas” de “um Messias triunfante e poderoso”.

O encontro dominical culminou com um pedido para que a comunidade católica cultive a “docilidade” necessária para aceitar aquilo que Cristo pede.

“Que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso”, recomendou.

Após a oração, Leão XIV saudou os vários grupos presentes no encontro, agradecendo às forças da Ordem e a todos os que contribuíram para a sua estadia em Castel Gandolfo, neste período do verão.

(Com Ecclesia)

 

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