Pelo Monsenhor José Medeiros Constância

Realizou-se, via Zoom, no Brasil, promovido pela CNBB, pelos Jesuítas e vários Institutos Teológico-Pastorais o primeiro Congresso Brasileiro de Teologia Pastoral que teve lugar de 3 a 6 de Maio de 2021, intitulado “Discernir a Pastoral em tempo de crise”. Foi um grande acontecimento, com grandes iluminações conclusivas para toda a Igreja no país, desde as bases até ao episcopado, porque encarou o ser Igreja em tempo de pandemia.

O Congresso teve grandes conferências com as seguintes temáticas: Discernir a pastoral em tempos de crise; Provocações para uma leitura do tempo presente; Desafios e perspetivas para a pastoral no Brasil hoje ou o significado da sinodalidade para a pastoral.

Realizaram-se seminários com temas específicos e um pôr em comum dos participantes sobre narrativas de experiências pastorais significativas. Foram três dias de reflexão profunda, de debates abertos, de apontar práticas atuais de sinodalidade e de algumas conclusões: horizontes pastorais do Congresso.

Nos horizontes pastorais, encontramos pontos importantes como estes: Rever e dinamizar a fé que se deve tornar relação; discernimento dos sinais dos tempos; sinodalidade como grande caminhada da Igreja que deve ser toda ministerial e que deve superar o clericalismo. Criar e aprofundar o magistério da Teologia Pastoral e ver os critérios de formação na chamada “segunda receção” do Vaticano II; Reinterpretação do Vaticano II que recria a Igreja como Sacramento do Reino, promotora da solidariedade, opção pelos pobres e pelos ameaçados. No fundo, a edificação de uma Igreja Samaritana.

Foram aduzidos ainda, como horizontes pastorais, a: animação bíblica da vida pastoral, o itinerário da iniciação à vida cristã, comunicação e os desafios que ela tem hoje. E, ainda, dar visibilidade ás experiências pastorais das bases.

No contexto eclesial mundial, intercontinental e continental há que compreender o que é a Teologia Pastoral hoje no edificar a Igreja dentro da sinodalidade, a vários ritmos e instâncias. Em Portugal, pouco se reflete sobre a vida pastoral em termos teológicos e os planos de conjunto esbatem-se nas conclusões dos encontros e na organização pastoral do plano ou planos de cada Diocese. Esperamos que o caminho sinodal una a Igreja portuguesa, tirando-a do momento desinteressante que vive, não obstante, todas as generosidades e iniciativas das vinte e uma dioceses.

Nos Açores criamos, temos um plano e crescemos em aspetos orgânicos na pastoral aplicada. Mas falta reflexão teórica profunda e uma aplicação pastoral concertada e unida. Predominam os protagonismos e crescem os liberalismos pastorais.

A pastoral não se constrói com ignorâncias, nem com dicas praticistas de quem sabe tudo. Aprendi nos estudos, e na minha vida prática de longos anos, que a inteligência pastoral faz-se na ciência e na arte do trabalho árduo e no dar as mãos a todos, sobretudo aos cristãos leigos/as que estão bem inseridos no mundo.

*Monsenhor José Medeiros Constância é presidente do Instituto Católico de Cultura, ouvidor de Ponta Delgada e membro da Comissão Diocesana da Caminhada Sinodal