Pe João Chaves convoca os cristãos a evangelizar através de uma religiosidade popular adulta

O responsável da Diocese de Angra pela Pastoral Missionária participou numa conferência organizada pela Ouvidoria do Nordeste sobre o contributo da religiosidade popular para a Nova Evangelização.

Embora reconheça que a religiosidade popular é uma porta aberta para a nova evangelização, o responsável diocesano pela pastoral missionária disse esta quinta feira no Nordeste, que ela precisa ser evangelizada promovendo a consciencialização dos cristãos para a importância de outras dimensões como a liturgia e a vida sacramental.

 

“Não há dúvida que, com sentido pastoral, devemos acarinhar a religiosidade popular, mas também servir-se dela para conscientizar os cristãos da importância de outras dimensões e expressões, como são, entre outras, a vida eclesial e sacramental, a Liturgia. É-nos lançado, portanto um grande desafio, não só de estilo, mas também de objetivo”.

 

O sacerdote dehoniano que embora açoriano de nascimento reside permanentemente nos Açores há menos de um ano, participou numa conferência organizada pela Ouvidoria de Nordeste sobre o contributo  da religiosidade popular para a nova evangelização, que se realizou no Centro Cultural Pe Ernesto, em Santo António do Nordestinho.

 

João Chaves passou em revista os dois conceitos – religiosidade popular e nova evangelização – lembrando que ambas “até poderiam parecer contraditórias porque a primeira aponta para o intimismo e a segunda pressupõe apostolado e militância”- e deixou um apelo a todos os cristãos açorianos para que não se demitam da condição de evangelizadores.

 

“A evangelização é um empenho de todos: clero e laicado” disse o sacerdote.

 

No entanto, deixou um alerta lembrando que é necessário ter-se uma “fidelidade à mensagem” e procurar a melhor forma de a transmitir no espaço e no tempo, adequando-a ao seu destinatário.

 

“O evangelizador tem de se precaver contra esse risco da deformação da mensagem” e tem “de privilegiar o conhecimento, o estudo, a formação e o discernimento, com muita humildade, nunca se sobrepondo à mensagem de Cristo, mas servindo-a em comunhão com a Igreja e o Magistério desta, a quem, em última análise, cabem o discernimento e a orientação”, destaca o sacerdote.

 

E, acrescenta, em jeito de alerta critico, que o “Evangelho liberta, alegra; se, pelo contrário, acabrunha, é de duvidar se é Boa Nova de Cristo. E há tanto batizado que prefere carregar as tintas: visões, castigos etc… Depois, não nos admiremos se, não encontrando alegria e libertação na nossa proposta católica, há quem as procure nas seitas”.

 

Um cuidado que, estende também a todos os que seguem a religiosidade popular que tem “uma verdadeira força missionária” e, por isso “deve ser acarinhada”, mas que não deve ficar-se pelos ritos ou pelos momentos.

 

“Há que reconhecer excessos e riscos na religiosidade popular, excessos que exprimem e, por sua vez, produzem lacunas, o que acontece quando a religiosidade popular persiste em estar desarticulada ou desligada da Liturgia, da catequese, da Bíblia”, disse João Chaves.

 

“As práticas da religiosidade popular podem iludir e deixar num infantilismo religioso, dando excessiva importância ao ritual, ao exterior” e quando “mal entendida e mal praticada pode levar a relativizar Cristo, o itinerário salvífico, o mistério pascal, a pertença à Igreja, a vida religiosa comunitária e de assembleia; a relativizar e mesmo dispensar os sacramentos; a relativizar a Sagrada Escritura; a dispensar a formação e a catequese, a desligar a religião dos empenhos da vida; a ter um conceito utilitarista da religião; a favorecer a magia, a superstição, o espetáculo, o fanatismo”, conclui o sacerdote.

 

A segunda parte desta jornada de reflexão e formação, que contou com casa cheia, foi preenchida com a apresentação do CD “Cristo Reina” do pe Jason Gouveia.

 

Esta iniciativa inseriu-se no âmbito das realizações previstas para este ano pastoral que tem como tema central a comunicação social e a nova evangelização.

Scroll to Top