Por Renato Moura

O judicial, o legislativo e o executivo são poderes do Estado. A comunicação social tem a fama de ser o quarto poder. Realmente tem a capacidade de influenciar as pessoas, para o bem e para o mal, pode formar opiniões nos cidadãos, ir mais longe e manipular as pessoas. Pode mesmo destruir figuras, tombar altos dirigentes em todas as áreas e até derrubar governos.

Já aqui, em final de Fevereiro, na peça “Política e informação” deixei algumas convicções e preocupações sobre as influências da comunicação social na política, nomeadamente quando o jornalista tem a tentação de se transformar na “estrela”, ou de tentar impor uma resposta. Como então continuo a preocupar-me quando se procura levar a concluir erradamente, ou se tenta provar que os políticos mentem sempre, ou nenhum dos seus objectivos pode ser alcançado. Reafirmo que os jornalistas, ainda que como comentadores, têm direito à liberdade, mas esta não pode ser ardilosa ou maior que a responsabilidade.

Também sabemos que a comunicação social se contagia no contexto social e sofre com a força que têm os fenómenos políticos e partidários. Há muitos anos que vemos forças políticas de diversas oposições a agoirarem desgraças, não disfarçando por vezes que gostariam de elas acontecerem e assim terem sucesso à custa da revés alheio!

Se atentarmos bem, percebemos que há muita comunicação social a tentar adivinhar desaires, sejam eles políticas, económicos, ou institucionais. Há muito que se vaticina que se vai desmoronar o acordo político que suporta o governo; teria sido na votação do orçamento para 2016 e agora será no de 2017. Todos os dias se vislumbram contradições entre os membros do Governo. Desde a posse de Marcelo como Presidente que se pressagiam desacordos com o 1.º Ministro, como se isso significasse o fim do regime e no passado não fosse comum existirem. Passou tempo a considerar-se que seriam inevitáveis as multas da UE e agora os cortes nos fundos. Mesmo se e quando os números da economia e das finanças são toleráveis, logo se tenta demonstrar que haverão de ser um fracasso.

Para resistirem aos complexos processos da comunicação e à especulação, todas as pessoas tinham de ser culturalmente evoluídas, o que é uma utopia.

Resta por isso esperar que haja muitos jornalistas e comentadores a distinguirem realidade de ficção, a honrarem a independência, dissecando bem o que analisam, ponderando melhor o que concluem, tendo consciência de a quem transmitem, da força dos meios que utilizam e dos efeitos que poderão produzir.