Por Renato Moura

No fim deste mês de Agosto, que quis dedicado a temas leves, opto por me limitar a partilhar reflexões sábias.

Umas são da responsabilidade da psicóloga e professora universitária Cristina Sá Carvalho, realçando que numa sociedade “muito afectada pela patologia do tempo”, o período das férias “devia ser aproveitado como tempo de reflexão”, pois habitualmente “estamos sobrecarregados de informação, acabamos por ter pouco tempo para o que é importante”.

A psicóloga defende que “nas férias uma das coisas que devíamos fazer é uma desintoxicação do telemóvel, até dos telefonemas dos amigos, deixar só uma hora por dia que esteja ligado, para podermos apreciar tudo o que está à nossa volta, apreciarmo-nos a nós mesmos”, aproveitar para procurar “mais sossego” e “fazer coisas diferentes”. Se “uma família que quer continuar a ser família tem de ter várias experiências de encontro ao longo do ano” não o faz habitualmente, as férias servirão para o procurar suprir.

Cristina Carvalho considera a questão das “dependências do trabalho” como “ligeiramente ultrapassada” pois toda uma geração se “refugiou no trabalho para não viver o resto da sua vida” e agora estamos a aprender com as gerações mais jovens “que têm uma relação com o trabalho muito mais fluída, não têm aquelas expectativas de ficar numa empresa para toda a sua vida e gostam de outras coisas”.

José Luís Nunes Martins, filósofo, escritor e cronista, afirma “importa ter a coragem de estar longas horas e alguns dias longe do barulho das notificações que nos escravizam” e aconselha “Encontra caminhos de serenidade. Não permitas que a tua vida seja sempre uma tempestade, um tormento constante, uma desordem sem fim, inquieta e opressora”.

“Temos de sonhar de forma séria, de fazer projectos concretos, estudando também as diferentes formas de os concretizar” aconselha o pensador, mas “a felicidade é o oposto do medo e uma vida simples é quanto necessitamos para que, no silêncio da nossa presença, consigamos começar cada dia como ele é: uma aventura autêntica e irrepetível”. E preconiza “seria tão bom que conseguíssemos viver em conjunto uns com os outros, juntos, respeitando-nos a nós mesmos e aos outros de uma maneira que nos elevasse a todos”.

Valerá a pena planificar bem as férias, para que sejam proveitosas; se já não as deste ano, as próximas.

Que do respigado se não retire a apologia da indolência; mas não façamos do trabalho uma competição e opressão que nos impeçam de encontrar a fonte de vida donde jorre a paz necessária para viver.