Congregação está no Convento da Esperança, em Ponta Delgada desde 1962

Maio, mês de Maria e de Santa Vicenta Maria, fundadora da congregação das Religiosas de Maria Imaculada, que este ano celebram no próximo dia 25 os 125 anos da sua morte.

“É um rasgo da nossa identidade: comungar o amor que Santa Vicenta Maria tinha por Maria, que sempre tomou como modelo na sua entrega a Jesus” diz ao Sítio Igreja Açores a Superiora da Congregação nos Açores, Irmã Maria Alice.

Presentes no arquipélago desde 1954, as Religiosas de Maria Imaculada mudaram-se para o Convento da Esperança em 1962 e hoje é a única casa que possuem na diocese de Angra.

“Já tivemos outras, nomeadamente em Vila Franca do Campo onde estivemos durante 45 anos, uma comunidade que foi um centro de promoção, desenvolvimento e educação sobretudo para a fé” sublinha a religiosa destacando a gratidão que sentem quando são abordadas na rua por antigas alunas e ouvem “o que sou devo-o às irmãs”.

Aliás, esta missão de ajudar através do acolhimento, da instrução e da formação, da transmissão de valores e da projeção profissional foi sempre uma constante desta congregação.

“Bebemos este carisma na nossa fundadora que à sua época se apercebeu que muitas meninas, crianças, jovens e adolescentes precisavam de proteção, sobretudo dos perigos morais e respondendo ao chamamento de Deus para atuar nesse campo fundou a congregação”, diz a Irmã Maria Alice.

“Em todas as casas há sempre lares para acolher jovens que necessitam, por motivos de estudo, de trabalho, por carências económicas, precisam de preparar-se para ocupar um posto de trabalho” e, particularmente aqui na Diocese “esta casa foi um centro de formação a nível social, cultural, a nível de educação, a nível de trabalho e várias gerações passaram por aqui não só oriundas de São Miguel, mas também de outras ilhas, e ultimamente até do Continente”, frisa ainda a Superiora.

Neste momento há algumas jovens, mas o grupo é “bem mais pequeno e flutuante” do que há uns anos atrás.

Tal como a comunidade de Religiosas. Apenas cinco se encontram nos Açores, depois das outras casas terem fechado. Três são micaelenses. No ano passado chegou a equacionar-se a saída definitiva da Diocese, mas para já o assunto “está em estudo. É um processo que exige muita ponderação porque nós temos de saber efetivamente onde somos precisas e onde devemos estar”, adianta ainda.

As Religiosas de Maria Imaculada desenvolvem trabalho no Convento da Esperança e apoiam o Santuário do Senhor Santo Cristo no acolhimento aos peregrinos. Mas dão igualmente apoio aos inúmeros retiros que se realizam ao fim de semana bem como à maioria dos movimentos de apostolado que têm no Convento da Esperança a sua sede e o apoio para as reuniões periódicas.

“À noite é uma loucura tal como ao fim de semana pois temos sempre a casa cheia”, diz sorrindo.

A Congregação possui cinco casas em Portugal que formam uma das duas regiões da estrutura das Religiosas de Maria Imaculada. O “governo” da Congregação está sediado em Roma, onde se encontra a Madre Geral; a Casa mãe é em Madrid, onde ainda hoje se faz o pré noviciado e noviciado europeu, mas a congregação está presente em quatro continentes e dispõe de 12 provinciais e uma sub província.

“Na India por exemplo a província é composta apenas por irmãs indianas, julgo que só há uma espanhola a prestar serviço nessas comunidades e estamos também em África, no Mali e no Burkina Faso”, acrescenta.

Além das casas semelhantes à que existe nos Açores, a Congregação possui ainda os Lares Vicenta Maria, destinados a crianças excluídas pelas famílias “ a quem é preciso dar um lar” e escolas de formação profissional noturnas, destinadas a homens e mulheres que procuram formação.

“Por inspiração da nossa fundadora abrimos as nossas portas a todos os necessitados”, diz a Irmã Maria Alice, natural do Porto e religiosa há 48 anos. Está nos Açores pela segunda vez, há dois anos e meio.

Na sua época, quando “sentiu o chamamento” para dar uma resposta concreta à juventude espanhola,  Santa Vicenta Maria estava em Madrid,  na segunda metade do século XIX , marcada por uma crise profunda na agricultura e um êxodo de camponeses para as grandes cidades , em busca de melhores condições de vida.

“Numa carta que escreve ao pai, dá-lhe conta disso” lembra a Irmã Maria Alice sublinhando o “combate” travado pela sua fundadora “pela dignidade das jovens desprotegidas”.

Por isso, a identidade “que nos marca  é a  espiritualidade de Vicenta Maria no amor que tem a Jesus nas duas vertentes contemplativa e ativa. Nós procuramos continuamente a vontade de Deus e servir essa vontade: Vós o quereis meu Deus então também eu quero”.

A Congregação foi fundada em 1876; Santa Vicenta Maria foi beatificada por Pio XII em 1950 e canonizada por Paulo VI em 1975. Morreu com 43 anos de idade.