Terceira e São Miguel têm o inicio da preparação agendado para 11 e 19 de janeiro, respetivamente

As romarias quaresmais de 2020 já estão a ser preparadas e embora seja feita em tempos diferentes quer o Movimento de Romeiros de São Miguel quer o rancho de Romeiros de Nossa Senhora da Conceição, na ilha Terceira, iniciam a sua preparação com o retiro anual, que na ilha lilás tem lugar a 11 de janeiro e na ilha de São Miguel a 19.

A XIV Romaria Quaresmal na Terceira decorrerá entre 11 e 15 de março, realizando-se vários encontros para além do retiro já mencionado. Os encontros preparatórios do Rancho de Romeiros do Santuário de Nossa senhora da Conceição serão a 15, 22 e 29 de janeiro; prosseguem depois a 5, 12 e 19 de fevereiro e nos dias 4 e 10 de março, as duas datas mais próximas da saída, celebra-se o sacramento da Reconciliação. Estes encontros decorrerão no santuário, sempre a partir das 20h00.

No dia 11 de janeiro, o retiro decorrerá no centro Social e Paroquial da Agualva e a primeira reflexão será orientada pelo ouvidor da Praia, pe. Emanuel Valadão sobre o “Domingo da Palavra de Deus”. Às 16h30, uma hora e meia depois da hora agendada para o começo do retiro, o reitor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, cónego Francisco Dolores e o romeiro Hélder Ávila farão uma apresentação do tema “O (re)começo das romarias na ilha Terceira”. o retiro prosseguirá com uma reflexão do franciscano Frei Francisco Sales sobre “Romeiros- Homens de fé com espiritualidade”. O retiro terminará com a celebração da Eucaristia.

Já os Romeiros de São Miguel fazem a sua preparação nas paróquias, com catequeses e reflexões e reúnem-se a 19 de janeiro num encontro de ilha, com representantes dos 53 ranchos, na Escola Gaspar Fructuoso, na Ribeira Grande, onde o formato já está estabelecido desde há muitos anos. Começam com o acolhimento, uma oração inicial e depois segue-se uma palestra geralmente dividida em duas partes. Este ano a formação volta a ser feita pelo Pe. José Júlio Rocha, professor do seminário de Angra e doutor em Teologia Moral. O encontro termina com uma Eucaristia e um momento de Adoração ao Santíssimo.

As romarias quaresmais são uma das realidades mais vivas da tradição da religiosidade popular açoriana, quase a completar 500 anos (2022). Começam no primeiro sábado da quaresma, prolongando-se até à sexta feira santa, e durante oito dias, grupos de homens percorrem a ilha de São Miguel (na Terceira são apenas cinco dias), sempre a pé, do nascer ao por do sol, rezando em busca do perdão e da redenção.

Unidos pela fé, agarrados a um terço e a um bordão, percorrem no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, todos os “templos” de pedra dedicados ao culto mariano.

Os ranchos de romeiros, que agora também já existem na ilha Terceira e na Graciosa, bem como no Canadá e nos Estados Unidos, remontam a 1522 e 1563, data de grandes erupções vulcânicas e tremores de terra que destruíram Vila Franca do Campo e Ribeira Grande, respetivamente.

Os romeiros são verdadeiros peregrinos penitentes que através da caminhada procuram a conversão pessoal e espiritual.

Os ranchos são compostos apenas por homens e neles há três com funções particularmente definidas: o mestre, o procurador das almas e o guia.

O Mestre é a primeira de todas as figuras do Rancho. É ele que preside ao auto processional, dirige as orações, oferece e  suplica a Deus e à Virgem as inúmeras preces de que vem incumbido.  È, ele, de resto, que dita o ritmo de andamento do rancho, nomeadamente quando se para, se anda, se reza ou se descansa.

Finalmente, a terceira e última figura do Rancho é o Guia que vai à frente de toda a Romaria, as veredas, as ribanceiras por onde todo o Rancho tem de passar, para ir pelos mais curtos atalhos até todas as Ermidas e Igrejas espalhadas por toda a Ilha de São Miguel, onde haja uma invocação à Virgem Maria.

A dimensão dos ranchos varia de paróquia para paróquia mas estima-se que nesta Quaresma entre 2000 a 2500 homens participem nas romarias.

O Movimento de Romeiros de São Miguel tem feito uma aposta na formação espiritual destes peregrinos estimulando-os a um verdadeiro compromisso com a vida comunitária ao longo do ano.

Os Romeiros de São Miguel já possuem uma Casa, na Lagoa, onde fazem algumas das suas reuniões diretivas e promovem o espólio museológico das romarias. Neste momento encontra-se em fase de recolha os testemunhos de romeiros- em vídeo e áudio- de forma a recuperar e a perpetuar a memória do movimento na ilha que pretende candidatar esta prática de vivência religiosa a Património Imaterial da Humanidade.

(Notícia corrigida, hoje, ás 18h40)