Processo pretende envolver toda a igreja e mobilizar a sociedade açoriana

A 5a Assembleia Geral da associação “Movimento de Romeiros de S. Miguel”, que decorreu este domingo na Lagoa, aprovou uma proposta  que dá luz verde ao arranque da formalização de um processo de candidatura das Romarias de São Miguel  a Património Imaterial da Unesco.

A iniciativa que foi tomada no âmbito dos 500 anos das romarias, que se assinalam em 2022, pretende chamar a atenção para a singularidade deste movimento e desta expressão de fé açoriana, envolvendo toda a igreja e toda a sociedade e naturalmente os próprios romeiros.

O projeto, que pretendem possa ser o mais abrangente possível, vem sendo pensado internamente há já algum tempo e os próximos anos vão ser decisivos para fundamentar e sustentar, numa investigação histórica, religiosa e social profunda e séria de forma a que uma possível candidatura seja bem sucedida”.

Em junho de 2015, o líder do CDS PP, Artur Lima, no discurso de encerramento do congresso regional dos populares, no Pico, avançou com a noticia de que o partido estaria a preparar uma iniciativa legislativa que recomendasse ao Governo a organização deste dossiê,  por forma a que pudesse existir uma “candidatura regional desta tradição religiosa e cultural” à UNESCO “numa perspetiva fiel ao espírito do movimento”.

“Queremos que a nossa proposta seja institucional e não há qualquer outra motivação que não o reconhecimento, que é devido, a esta tradição secular e histórica do povo açoriano, especialmente dos micaelenses”, sublinhou Artur Lima em declarações ao sítio Igreja Açores.

As Romarias de São Miguel completam 500 anos em 2022 e essa seria uma data interessante, do ponto de vista do Movimento, para ter este reconhecimento.

O movimento tem uma história, uma identidade e um carisma religioso que importa estudar e maturar da melhor maneira possível e é isso que está a fazer dando os primeiros passos através da ação dos elementos que integram a equipa da cultura da Associação.

Além da luz verde dada por 36 dos 38 grupos representados na Assembleia Geral para a formalização desta candidatura, os Romeiros de São Miguel aprovaram ainda o calendário de atividades para este ano pastoral que agora arranca.

O retiro espiritual anual, preparatório das romarias, realiza-se no dia 27 de janeiro, na Ribeira Grande, e no dia 10 de fevereiro, terá lugar a habitual recolha de sangue no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada. Esta dádiva de sangue, que envolve sempre um numero considerável de romeiros, sobretudo da cidade de Ponta Delgada, volta a realizar-se a 11 de agosto.

O Dia do Romeiro, este ano, de 2019 será celebrado na Relva, a 5 de maio e as Romarias Quaresmais realizam-se de 9 de março a 18 de abril. De referir que em maio o grupo coordenador volta a reunir-se com os representantes dos 55 ranchos, organizados em ouvidoria.