Por Renato Moura

Sempre se considerou que um canal de televisão produzido nos Açores teria uma importância fulcral para fomentar a unidade açoriana, ajudar o desenvolvimento económico e social e consolidar o processo de autonomia.

A RTP-Açores, descontada a limitação ao nível de comunicações, que a impediu durante muitos anos de chegar ao Grupo Ocidental, cumpriu outrora a missão, de forma aceitável, tendo em conta as carências de instalações, as insuficiências técnicas e materiais, as limitações orçamentais e outras contingências. Contornou então dificuldades e obstáculos graças ao valor profissional, qualidade humana e capacidade de superação dos trabalhadores, contando também com a cooperação das instituições e da sociedade. Longe vão esses tempos!

Ao longo dos anos tem aumentado o número e a qualidade dos serviços de televisão, nacionais e internacionais, que são colocados à nossa escolha. Não se pode esperar que um canal regional de televisão possa competir com as grandes estações televisivas, mas, como canal de serviço público, deve-se exigir-lhe qualidade, ainda que para tanto seja necessário ter tempo de emissão própria reduzido.

A RTP-Açores não pode ser equiparada a qualquer outra delegação da RTP, pois que actua numa Região Autónoma constituída por nove ilhas dispersas; tem por isso de ser dotada de orçamento adequado, tem de dispor de recursos humanos qualificados e bons meios operacionais, não apenas nos seus tradicionais centros, mas em todas as ilhas.

Nos Açores cada ilha é uma realidade com potencialidades e bloqueios, que a televisão tem de retratar. E quando a RTP-Açores é uma televisão que não dispõe de jornalistas e meios em todas as ilhas, não serve os Açores e não dignifica a Região perante os telespectadores que no exterior a ela acedem por cabo.

O Provedor do Telespectador da RTP esteve nos Açores e chegou às Flores, tendo dedicado um programa do “Voz do Cidadão” à RTP-Açores, que vale a pena ver (disponível na RTP Play), mas que deve merecer a maior atenção, reflexão e decisão por parte dos governos e dos responsáveis da RTP a todos os níveis.

Jorge Wemans, como Provedor, afirmou com desassombro que “A falta de jornalistas colocados nas diferentes ilhas impede a RTP-Açores de assegurar uma cobertura permanente da realidade local e impossibilita de cumprir a sua missão de ser um elo de ligação entre todas as comunidades do arquipélago e contribuir, de modo decisivo, para o reforço da coesão açoriana” e vincou “A televisão pública não pode prolongar este estado de coisas”.