Programa do Santuário visa aliviar pais de crianças deficientes

Cerca de 600 deficientes já participaram no programa desenvolvido desde 2006 pelo Santuário de Fátima que visa proporcionar férias aos seus progenitores, disse hoje à agência Lusa uma fonte da instituição.

“Na base desta iniciativa está o santuário ter verificado que havia muitos pais que não tinham possibilidade de descansar, de ter férias, porque estavam presos continuamente com os filhos deficientes em casa”, afirmou o padre Manuel Antunes, diretor do serviço de doentes do santuário, no distrito de Santarém.

O primeiro ano arrancou com dois turnos, mas como “os pedidos eram muitos acrescentaram-se mais dois”, sempre no verão, explicou Manuel Antunes, adiantando que “os pedidos continuam a ser cada vez mais”.

“Estamos a privilegiar pais que nunca vieram e dando oportunidade àqueles que estão em situações [económicas] difíceis de renovar a sua participação”, salientou o sacerdote, referindo que um dos fatores preponderantes na aceitação são os pais que cuidam dos filhos em casa.

“Aqueles que têm os seus filhos em casa diariamente, é para esses que é esta assistência”, frisou o responsável, notando que na aceitação dos pedidos também se tem em conta aqueles cujos filhos têm deficiências mais graves.

O programa prevê que os pais possam optar por ficar com os filhos em Fátima ou por irem buscá-los no último dia do turno, com uma semana de duração.

 

Cada turno tem em média de 20 utentes, cabendo ao santuário assumir “as despesas da alimentação e da dormida dos filhos e dos pais que ficarem com eles e, também, com a respetiva equipa de voluntários”.

“Os pais podem acompanhar os filhos querendo”, acrescentou o diretor do serviço de doentes, considerando que “os pais são aqueles que mais beneficiam” do programa, pois “aqui não fazem nada, apenas estão a beneficiar do tempo e das condições que lhes dão para se poderem distrair”.

Manuel Antunes, assistente nacional do Movimento da Mensagem de Fátima, entidade que operacionaliza a iniciativa, afirmou que a mesma contemplou primeiro apenas mães, mas estendeu-se depois aos pais.

Durante o período em que estão em Fátima, no Centro Francisco e Jacinta Marto, da congregação Silenciosos Operários da Cruz, aos deficientes é proporcionado um programa lúdico, que inclui atividades culturais ou ir à praia, mas também com uma vertente espiritual, com deslocações aos locais mais emblemáticos de Fátima.

Os deficientes surgem de todo o país, assim como os voluntários, cerca de 20 por cada turno, e sem os quais não era possível concretizar o programa, realçou o sacerdote, explicando que entre os utentes destas férias “há invisuais, deficientes profundos, de cadeira de rodas ou acamados”.

Segundo o responsável, no final, quando partem, os pais “vão com muito mais força moral para darem continuidade à sua missão”, garantindo que “o santuário tem intenção de continuar” com este projeto.

“Com todo o gosto subsidia estas iniciativas, uma vez que o santuário também está muito voltado para este aspeto social”, comentou o diretor do serviço de doentes.

CR/LUsa