O ex-presidente do Governo Regional dos Açores diz que atribuiu o nome do papa ao estádio de Angra do Heroísmo e ao Aeroporto de Ponta Delgada como forma de agradecimento pela visita aos Açores.

Foi há mais de 20 anos a visita do Papa João Paulo II aos Açores — mas, para todos os que viveram tal jornada, 11 de Maio de 1991 tornou-se uma data inesquecível!

A Visita Papal foi um verdadeiro acontecimento histórico para os Açores. Em mais de meio milénio de existência, pela primeira vez a cristandade açoriana acolheu o Sumo Pontífice! E não está garantido que um tal acontecimento se repita, mesmo apesar de o Papado se ter tornado, em consonância com os novos tempos, cada vez mais itinerante e com uma presença, direta e pessoal, repartida por todo o planeta.

Em reconhecimento da atenção para connosco manifestada pelo Santo Padre, o Governo Regional deliberou atribuir o nome de João Paulo II ao Estádio de Angra do Heroísmo; e diligenciou junto do Governo da República para que o mesmo acontecesse com o Aeroporto de Ponta Delgada, único no mundo a ostentar designação tão ilustre.

Recordo com emoção a aproximação do avião papal à Terceira e depois também a São Miguel, seguido pelos olhos e pelos corações de milhares e milhares de açoreanos. E, no alto da escada, aberta a porta, a figura inconfundível do Papa João Paulo II, acenando a todos, com um gesto amável, de saudação e de bênção.

Mandei guardar o tapete de veludo vermelho, bordado a oiro, feito expressamente para que o Papa o pisasse ao tocar o solo das nossas ilhas. Está agora, devidamente emoldurado, no átrio do salão de honra do Aeroporto João Paulo II.

 

 

Em São Miguel foi construída uma instalação própria para acolher o Papa, junto ao Castelo de São Braz. A área destinada ao povo, com meios de amplificação sonora, alargava-se pelo Campo de São Francisco e Avenida Marginal e abrigou na altura um mar de gente.

Lugar especial se construiu para a veneranda imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres em seu andor florido — ao qual a liturgia da festa já aplicou em tempos as palavras inspiradas da Sagrada Escritura que exaltam o esplendor da liteira de Salomão…

Agora, quando João Paulo II recebe do Papa Francisco, com a canonização, o reconhecimento da Igreja Católica pelos seus méritos, humanos e cristãos, também nós, Açorianos, nos acolhemos à sua poderosa intercessão junto de Deus — para muitos, certamente, o único Santo de altar que puderam ver e ouvir em direto e que, ao passar nas nossas ilhas, ficou a conhecer a beleza delas e a fé e os sonhos de quem nelas vive.