Ponta Delgada acolhe iniciativa do Movimento Focolares que anualmente, nesta altura, organiza uma celebração conjunta na qual participam outras igrejas

O Movimento dos Focolares na diocese de Angra, com sede em São Miguel, vai dinamizar uma celebração no Salão Paroquial de São José, em Ponta Delgada, no próximo dia 26 de janeiro, pelas 15h30, para assinalar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que este ano evoca especialmente as mortes no Mediterrâneo.

“O nosso objetivo é testemunhar uma única fé, pela capacidade de acolhimento aos que não são católicos e alimentar a comunhão entre cristãos. A experiência que temos feito tem sido interessante e teremos o padre Davide Barcelos, pela Igreja Católica e o pastor Carlos Rosa, que farão a partilha da palavra” avançou ao Igreja Açores Maria José Amaral.

O evento insere-se no âmbito da Semana Anual de Oração pela Unidade dos Cristãos, que une milhões de pessoas de várias Igrejas, entre 18 e 25 de janeiro, e em ponta delgada realiza-se habitualmente  com uma celebração própria, que tem contado com a presença das várias igrejas cristãs, de entre as quais se destacam a Católica e a Presbiteriana, entre outras.

A passagem bíblica escolhida para este encontro de 2020 foi tirada do livro dos Atos dos Apóstolos (27,18-28,10), narrando o naufrágio de São Paulo a caminho de Roma, com o tema “Demonstraram-nos uma benevolência fora do comum”.

“Hoje muitas pessoas estão a enfrentar terrores semelhantes, nesses mesmos mares. Os lugares mencionados no texto também fazem parte das histórias de migrantes de tempos modernos”, refere a proposta de reflexão, publicada em conjunto pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Santa Sé) e a Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial das Igrejas.

Os materiais foram preparados pelas Igrejas cristãs em Malta e Gozo (Cristãos Unidos em Malta), destacando a chegada da fé cristã a estas ilhas, através do apóstolo Paulo.

Evocando as “crises da migração”, o texto recorda que “muitos estão a fazer jornadas perigosas por terra e pelo mar para escapar de desastres naturais, guerra e pobreza”.

“As suas vidas também estão expostas a imensas e friamente indiferentes forças – não apenas naturais, mas também políticas, económicas e humanas”, pode ler-se.

Essa indiferença humana assume várias formas: a indiferença dos que vendem lugares em barcos inadequados para pessoas desesperadas; a indiferença que leva à decisão de não enviar barcos de socorro; a indiferença que faz mandar embora barcos de imigrantes”.

Os cristãos são convidados à “hospitalidade”, testemunhando em conjunto a “amorosa providência de Deus para todas as pessoas”.

“A nossa própria unidade cristã será descoberta não apenas mostrando hospitalidade uns aos outros, embora isso seja muito importante, mas também através de encontros amigáveis com aqueles que não partilham nossa língua, cultura ou fé”, indica a proposta de reflexão.

O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo.

O ecumenismo é o conjunto de iniciativas e atividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos, quebrada no passado por cismas e ruturas.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).

O Movimento dos Focolares nos Açores é de pequena dimensão estando particularmente ligado ao movimento em termos nacionais. Os encontros para refletir sobre a palavra ocorrem mensalmente e este ano o movimento celebra o centenário do nascimento da fundadora, Chiara Lubich, no próximo dia 22 de janeiro.

(Com Ecclesia)