Este ano não há novas entradas nem ordenações no final do ano letivo

O Seminário Episcopal de Angra retomará a sua atividade no próximo dia 21 com o acolhimento dos 14 seminaristas que irão frequentar os diversos cursos, dos oito candidatos ao diaconado permanente e dos nove sacerdotes, recém ordenados, que irão iniciar um ciclo de dois anos de formação permanente.

São os primeiros padres ordenados obrigados a cumprir dois anos de formação permanente no Seminário, frequentando três períodos de formação por ano.

De 21 a 23 de setembro, os nove padres ordenados nos últimos dois anos vão estar no Seminário para aprofundarem a sua formação pastoral numa área especifica que é o luto.

“A pandemia veio trazer novas questões desde os  funerais solitários ao acompanhamento das famílias enlutadas ou a morte de jovens, que são questões muito pertinentes na vida de um padre. Dar-lhes ferramentas adequadas para lidar com estas situações é fundamental” adiantou ao Igreja Açores o Reitor do Seminário, padre Hélder Miranda Alexandre.

Além disso, reconhece, “trata-se de um momento de reencontro e de partilha para que não percam o sentido de comunidade, que às vezes, nos afazeres do dia-a-dia, pode perder-se” afirma o sacerdote responsável pela única casa de formação dos sacerdotes diocesanos dos Açores.

Além da formação dos jovens padres, também no inicio do ano lectivo arrancará, pela primeira vez, o curso sistematizado de quatro anos para a formação de diáconos permanentes.

“Vamos fazer o que já se faz noutras dioceses. Trata-se de um trabalho em que o nosso Bispo se tem empenhado e vamos ter oito candidatos, a maioria de São Miguel”. Dada a dispersão geográfica e o facto dos candidatos serem de várias proveniências, o curso vai ser feito on-line, com os professores do Seminário , mas “estão previstos momentos de encontro presencial”.

“São pessoas com experiência de vida, envolvidas nas paróquias, gente bem formada, com estabilidade e , por isso, acredito que seja uma experiência e um projecto que pode dar muitos frutos” adianta o padre Hélder Miranda Alexandre.

“Estou otimista com esta iniciativa pois embora ainda tenhamos muitos padres nos Açores é preciso encontrar lugar para o diaconado; os diáconos são muito importantes na ajuda que podem dar na celebração da palavra e na caridade”.

As aulas no Seminário começam no dia 22, com 14 alunos, distribuídos pelos diversos anos letivos.

“Não há entradas, o que é uma noticia triste. É a primeira vez desde que sou reitor que não há entradas, mas essa situação também pode ser uma oportunidade para refletirmos e fazermos com a que a diocese se envolva mais na pastoral vocacional; o trabalho não é nem pode ser só do Seminário”, adianta.

“Temos tido muitas ordenações (este ano no final do ano letivo não haverá nenhuma); mas é preciso pensar no amanhã” acrescenta sublinhando uma “necessidade evidente” de um “maior dinamismo e envolvência do trabalho nas paróquias e nas famílias”.

“Todos os dias nos pomos em causa para melhorar. As questões que se levantam na falta de vocações e na formação dos novos sacerdotes são complexas e devem ser debatidas, mas os problemas que temos, aqui nos Açores , são transversais”, esclarece.

“Infelizmente não estamos sozinhos e temos visto – ainda agora na formação de formadores de seminários- que os problemas da formação e os desafios da formação sacerdotal são sérios e profundos. O  acompanhamento dos jovens candidatos ao sacerdócio tem de ser muito sério e personalizado de forma a despertarmos nestes rapazes sentido de comunidade, uma sólida formação humana, pastoral e cientifica”, adianta ainda.

O reitor do Seminário lembra que estes dois últimos anos vieram acentuar as dificuldades. A  pandemia e a consequente limitação dos  encontros presenciais nomeadamente na Semana dos Seminários, na Semana das Vocações e outros encontros vocacionais, “constituíram um constrangimento assinalável” , mas “agora que poderemos ir retomando alguma normalidade poderemos também refletir e agir de outra forma”, conclui.

Entre os 14 alunos do Seminário estão jovens das ilhas de São Miguel, Terceira, Faial, Pico, Flores e São Jorge.