Por Tomaz Ponce Dentinho

O Papa Francisco foi ao Cairo e na Universidade do Islão afirmou que a proclamação da violência em nome de Deus deve ser prontamente denunciada por todos os crentes, qualquer que seja a sua religião.

O Cardeal Patriarca, Dom Manuel Clemente, foi celebrar a Eucaristia em Santos o Novo para comemorar os 85 anos da Obra Social daquela paróquia de Lisboa. Disse e ouvimos que a caridade é o primeiro momento da eternidade.

O Padre João Seabra celebrou Missa nos Exercícios de Fraternidade do Movimento Comunhão e Libertação no sítio do Vimeiro e percebi que a vida é suave e alegre quando é humilde e confiante.

Mas ao que demos mais tempo de reflexão foi às exposições do Padre Cáron que pregou os exercícios a partir de Rimini na Itália em três lições interligadas. O que entendi e escutei vem abaixo.

A primeira lição foi sobre a liberdade. Deus quer-nos protagonistas da nossa salvação que vai acontecendo todos os dias através da forma como atendemos, reagimos e renovamos a nossa relação com o mistério de Cristo que nos é oferecido pelo real. Como sabemos não há nada mais belo do que o olhar de uma pessoa livre. E essa liberdade, vamos aprendendo, não passa por qualquer formalismo moral que nos afasta do que é indispensável para viver. Acontece quando procuramos ter o coração cheio para reconhecer a verdade no real e optamos pela escolha que Deus oferece à nossa liberdade.

A segunda lição foi sobre a misericórdia. Parte da fraqueza do nosso coração em, por si, ser capaz de conhecer a verdade no real. É esse reconhecimento de incapacidade, é essa humildade nostálgica de um bem que não conseguimos alcançar sozinhos, que dá o sentido religioso a toda a humanidade, sobretudo aos mais humildes. Sentido religioso que, segundo o Padre Carón, está bem presente na sede que não se satisfaz com a água do poço de Jacob como percebeu a Samaritana. É uma sede de salvação e de perdão que faz com que Zaqueu suba ao sicómoro para ver Jesus, espere o perdão da Sua misericórdia, agradeça a graça da presença de Deus e escolha a pobreza de espírito repartindo parte dos bens que tem e retribuindo em multiplicado os que roubou.

A terceira lição aborda a difícil questão da pobreza de espírito no exemplo dado por Zaqueu, o pecador publicano. O Padre Carón explica que não faz sentido escolher a pobreza se não se esperar em troca um bem maior que é Cristo, não só pelos bens que nos providencia todos os dias, mas também pela segurança que nos dá para o futuro. Se Jesus está presente dentro da nossa vida somos verdadeiramente livres da circunstância social, do dinheiro, da carreira e da política. Por isso é que os pobres, que não têm nada disso, estão mais perto do Reino de Deus. Por isso é que os pecadores corajosos como Zaqueu tem mais liberdade do que os moralistas amedrontados dos Fariseus.

Cada um de nós já foi provavelmente pobre, certamente pecador e, com toda a certeza, muito moralista e medroso. Mas quando somos mais felizes é quando subimos ao sicómoro e quando Cristo enche o nosso coração; que bom é estar aqui. Se não tivermos medo, o passado morre no arrependimento, e a dádiva do presente que encerra todo o futuro acontece com leveza. Vê-se nos olhares alegres e nos gestos livres.